- Maior estudo internacional publicado na Nature Medicine analisou mais de 500 exames cerebrais de 267 pessoas em cinco países, incluindo o Brasil.
- Identificou uma “impressão digital neural” comum a psicodélicos como LSD, psilocibina, DMT, mescalina e ayahuasca.
- A principal constatação é o aumento da comunicação entre redes cerebrais distintas, reduzindo a hierarquia entre níveis de processamento.
- Os resultados sugerem uma reorganização temporária das conexões cerebrais, envolvendo o córtex e regiões profundas ligadas a hábitos, aprendizado e movimento.
- A pesquisa inclui dados com ayahuasca do Brasil, porém com amostra menor, limitando conclusões sobre essa substância em comparação com as outras estudadas.
Um megaestudo internacional, publicado nesta segunda-feira 6 na revista Nature Medicine, aponta uma assinatura neural comum a diferentes psicodélicos. A pesquisa analisou mais de 500 exames cerebrais de 267 participantes, reunindo 11 estudos de vários países, incluindo o Brasil.
O principal achado é a ampliação do cross-talk entre redes cerebrais distintas. Substâncias como LSD, psilocibina, DMT, mescalina e ayahuasca elevam a conectividade entre áreas sensoriais e as ligadas ao pensamento abstrato, reduzindo a hierarquia entre níveis de processamento.
Essa reorganização cerebral é descrita pelos autores como uma reconfiguração em larga escala, com mayor acoplamento entre redes que normalmente atuam de forma independente. Em síntese, regiões que pouco se comunicavam passam a trocar informações com maior intensidade.
Os resultados sugerem que as mudanças atingem não apenas o córtex, mas também estruturas profundas ligadas a hábitos, aprendizado e movimento. A visão tradicional de desorganização da atividade cerebral é substituída por uma reorganização temporária das conexões entre sistemas.
Metodologia e perspectivas
Os pesquisadores destacam que o padrão observado pode fornecer consistência a um campo em rápido crescimento, ainda com resultados fragmentados. A análise combine dados de várias pesquisas para oferecer uma visão integrada do efeito dos psicodélicos no cérebro.
Participação brasileira
Além das evidências globais, o estudo incluiu dados com ayahuasca, coletados no Brasil, embora com amostra menor. Os autores ressaltam que, por ora, as conclusões sobre ayahuasca ficam limitadas frente a substâncias mais amplamente estudadas.
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