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Radiotelescópio Bingo, em Paraíba, é alvo de relatório do Congresso dos EUA que o acusa de possível uso espião, apesar de finalidade científica

Astronomia. O equipamento permitirá investigar o ritmo de expansão do universo – Imagem: Projeto Bingo-ADBUS
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  • O radiotelescópio Bingo, maior da América Latina, em Aguiar, Paraíba, está em construção há quase 30 anos e ganhou repercussão após um relatório do Congresso dos EUA sugerir espionagem chinesa.
  • O projeto é coordenado pela USP e pela UniversidadeFederal de Campina Grande, com apoio do Inpe, parceria com a China e outras instituições; Lula assinou, em 2023, acordo de cooperação para uso pacífico do radiotelescópio.
  • Cientistas brasileiros defendem que o Bingo é uma iniciativa de pesquisa, sem finalidade militar, voltada à leitura de ondas acústicas de bárions para estudar a expansão do universo.
  • A estrutura física deve ficar pronta em abril, a parte eletrônica no segundo semestre e o comissionamento deve começar após essa etapa; o Bingo deve entrar em funcionamento em 2027.
  • O relatório dos Estados Unidos cita uma rede de infraestrutura espacial de uso dual na América Latina com ao menos onze instalações; pesquisadores brasileiros contestam as acusações como infundadas.

Na Serra do Urubu, no sertão da Paraíba, o radiotelescópio Bingo avança há quase 30 anos. O equipamento, que está sendo instalado em Aguiar, ganhou destaque após um relatório do Congresso dos EUA afirmar, sem evidências, que seria uma arma de espionagem chinesa. A versão oficial é de uso pacífico do espaço.

O Bingo é considerado o maior radiotelescópio da América Latina. O objetivo é mapear o cosmos, incluindo ondas acústicas de bárions, para entender a expansão do universo. Costa e coordenação ficaram a cargo da USP e da UFCG, com apoio do Inpe e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O projeto envolve cooperação internacional com a China e instituições de outros países, como Reino Unido, Holanda, África do Sul e EUA. O acordo de cooperação pacífica incluiu uma assinatura do presidente Lula em 2023. Segundo os organizadores, não há pretensão militar.

Para a estrutura, a China fabrica parte dos equipamentos, com participação de observatórios e universidades chinesas, além de envolvimento de pesquisadores de outros países. A construção envolve também equipes brasileiras, com fontes destacando que a maior parte do estudo foi conduzida por pesquisadores nacionais.

A ideia é usar espelhos e amplificadores para coletar dados de radiação e enviar sinais para várias cornetas. A leitura de emissões de hidrogênio no espaço permitiria mapear regiões remotas do cosmos. O funcionamento está previsto para 2027, com entrega da estrutura física em abril e conclusão da parte eletrônica no segundo semestre.

Denúncias do relatório do Congresso dos EUA citam uma rede de infraestrutura espacial de uso dual na América Latina, com instalações ligadas à RPC em diversos países. Segundo o documento, haveria capacidade de interceptar pulsos de radar, telemetria de satélites e atividades de guerra eletrônica com alta sensibilidade.

Os cientistas brasileiros discordam das alegações. O coordenador científico do Bingo, Alexandre Wuensche, afirma que o projeto é 100% brasileiro em grande parte, com componentes importados e parceria tecnológica internacional. Elcio Abdala ressalta o propósito científico e critica o viés político por trás das acusações.

O laboratório está a caminho de entrar em funcionamento, após a entrega da parte física. O comissionamento deverá seguir no segundo semestre, com testes e ajustes antes da operação plena. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre a expansão do universo, sem desvios de finalidade.

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