- Ibrahim Mahama apresenta na Münsterplatz a obra The God of Small Things, criada a partir de batakari, pneus usados e lonas de caminhões, conectando a memória da circulação global.
- Além da nova comissão, ele venceu o Art Basel Gold Award na categoria artistas consagrados e recebeu o Prêmio Arnold Bode de 2026; ficou em destaque no ArtReview Power 100 em 2025.
- Em março, o artista foi alvo de um ataque físico, alegadamente por policiais de Gana, o que interrompeu sua agenda de viagens e palestras; a recuperação tem sido lenta.
- O estúdio coletivo em Tamale envolve a comunidade e recebe visitas de escolares, que acompanham o processo de montagem das obras.
- A peça para Münsterplatz utiliza tecidos batakari, pneus de uma empresa pós‑independência e lonas de caminhões, ressaltando a história de circulação e o peso da memória material.
Ibrahim Mahama lança neste momento uma nova comissão pública em Münsterplatz, na Alemanha, após vencer o Art Basel Gold Awards na categoria artistas consagrados. A obra, intitulada The God of Small Things, utiliza têxteis batakari, pneus usados e lonas de caminhões para mapear a circulação global de objetos e pessoas.
Além da estreia na Münsterplatz, Mahama recebeu o 2026 Arnold Bode Prize, com reconhecimento à sua trajetória. Em 2025, ele ficou em primeiro lugar no ArtReview Power 100, consolidando a visibilidade internacional de seu trabalho. A combinação de prêmios aumenta a pressão por novas leituras de sua prática.
O momento coincide com um ataque físico sofrido pelo artista em março, supostamente envolvendo a polícia de Gana. O episódio interrompeu viagens e palestras, mas não impediu a continuidade de seus projetos artísticos.
The God of Small Things é descrita por Mahama como uma peça simples, de patchwork, que junta batakari, pneus e lonas de caminhões. A obra habita o espaço público de Münsterplatz para revelar histórias de colonialismo, exploração e memória.
O conjunto de materiais vem de uma prática contínua do artista, que coleta objetos usados em Tamale, no norte de Gana, para construir estruturas que comunicam passado e presente. O trabalho envolve uma rede de colaboradores e artesãos locais.
Mahama explica que a peça carrega a memória de circuitos globais: têxteis, resíduos industriais e passagens históricas conectadas a continentes. A intenção é aproximar o público da história que esses objetos “carregam” pelo tempo.
A sede do projeto fica em Tamale, onde o estúdio coletivo recebe visitas de escolares. As crianças acompanham o processo de montagem, em um espaço que valoriza a participação comunitária e a colaboração entre artistas, carpinteiros e técnicos.
O artista ressalta que a obra também reativa a função social da arte, conectando memória, comunidade e território. Questiona, assim, a ideia de reciclagem como simples recuperação, propondo um reencantamento político do material.
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