- Estudo conjunto de universidades dos Estados Unidos e da Austrália acompanhou 58 gestantes saudáveis na Califórnia, com idades entre 20 e 42 anos.
- Houve associação entre níveis mais elevados de citocinas pró-inflamatórias no plasma entre a quinta e a 17ª semana de gestação e maior frequência de náuseas, vômitos e aversões alimentares.
- Os pesquisadores sugerem que as aversões olfativas e alimentares durante a gestação podem representar uma adaptação biológica para reduzir a exposição do feto a substâncias nocivas.
- O estudo é observacional, com amostra pequena e de perfil específico (predominantemente hispânicas e com sobrepeso), o que não permite concluir causalidade nem generalizar os resultados.
- Especialistas destacam medidas para lidar com enjoos, como fracionar refeições, manter hidratação, evitar cheiros e alimentos que causem mal-estar e buscar orientação médica para tratamentos antieméticos ou apoio psicológico quando necessário.
Náusea, vômito e aversões a cheiros ou alimentos podem ter função protetiva durante a gravidez, segundo estudo realizado nos EUA e na Austrália. A pesquisa, publicada no Evolution, Medicine, and Public Health, acompanhou 58 gestantes da Califórnia.
As participantes tinham entre 20 e 42 anos, com maioria com sobrepeso pré-gestacional. Ao longo da gravidez, responderam questionários sobre enjoos, repulsa a cheiros, além de amostras de plasma entre a quinta e a 17ª semana.
Os pesquisadores analisaram citocinas pró-inflamatórias no sangue, moléculas que modulam o sistema imunológico e influenciam áreas relacionadas ao apetite, olfato e náusea. Houve associação entre níveis elevados dessas citocinas e mais enjoos.
A conclusão aponta que aversões olfativas e alimentares podem representar adaptação biológica para reduzir a exposição fetal a substâncias nocivas. Porém, o estudo é observacional e com amostra pequena.
O endocrinologista Nélio Veiga Junior ressalta limitações: participantes eram pouco diversas, com maioria hispânica e obesas, o que restringe a generalização dos resultados para todas as gestantes.
O pesquisador Corival Lisboa Alves de Castro concorda, destacando que enjoos na gravidez possuem componentes psicológicos e individuais, o que exige cautela na interpretação dos achados.
Implicações e próximos passos
A pesquisa não estabelece causalidade nem amplia de forma abrangente o conhecimento atual. Ainda assim, reforça a necessidade de monitorar casos de enjoo intenso, que podem levar a desnutrição ou desidratação.
Para reduzir desconfortos, recomenda-se fracionar refeições, evitar líquidos e sólidos simultâneos, não permanecer em jejum prolongado e escolher alimentos secos pela manhã. A hidratação em pequenos goles também é indicada.
Atenção à tolerância individual: reduzir gorduras e condimentos pode ajudar, assim como adaptar a dieta aos itens bem aceitos pela gestante. Em casos de náuseas severas, o uso de antieméticos pode ser necessário sob orientação médica.
Além disso, situações que impactam o bem-estar mental, como ansiedade e depressão, devem ser avaliadas pelo médico, que pode indicar tratamento adequado para a gestante.
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