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Busto de marfim gigante levanta dúvidas sobre investigações na Tanzânia

Caso em Dar es Salaam levanta dúvidas sobre seguimento de investigações de tráfico de marfim após a apreensão de quinhentos dentes de elefante

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  • Um homem norte-coreano, Un Hyok Ra, deve ir a julgamento na Tanzânia na semana, acusado de posse ilegal de marfim e intenção de comercializá-lo; ele foi preso em vinte e nove de abril em Dar es Salaam com 500 presas de elefante.
  • As autoridades informaram que o inquérito sobre a origem do marfim e os possíveis compradores ainda está em andamento; não houve respostas da polícia sobre a origem das peças.
  • A Tanzânia é signatária da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Padrão de Fauna e Flora (CITES), que exige análise forense de apreensões de marfim acima de 500 quilos para rastrear a origem.
  • Especialistas ouvidos pelo portal destacam que nem sempre há cumprimento dessa exigência de DNA em apreensões, e que informações sobre investigações e desfechos ajudam a desmontar redes de tráfico.
  • Historicamente, casos na Tanzânia mostraram convicções, recursos e, às vezes, anulações ou indícios de clemência, como o caso da conhecida “Rainha do Marfim” Yang Fenglan, condenada em 2019 e posteriormente libertada por perdão presidencial.

Um homem norte-coreano será julgado na Tanzânia nesta semana após ser preso em abril com 500 presas de elefante. Un Hyok Ra foi detido em 19 de abril num hotel em Dar es Salaam e responderá a acusações de posse ilegal e intenção de comercializar o material estepário.

O caso levanta questões sobre a origem da madeira de marfim apreendida e o andamento das investigações. A Tanzânia, signatária da CITES, exige análise forense de apreensões de marfim de 500 quilos ou mais para indicar a origem e sustentar investigações mais amplas.

Polícia de Tanzânia não respondeu a perguntas sobre a origem do marfim ou para quem Ra pretendia vender. Em audiência administrativa em 28 de maio, a promotora Florida Wancelaus informou apenas que as investigações continuam.

Chris Morris, fundador da SEEJ, grupo de monitoramento de crime contra a vida selvagem no Quênia, estima que 504 presas pesam cerca de 2,5 mil kg. Ele afirmou por e-mail que nem sempre as autoridades locais realizam análises de DNA em marfim apreendido, conforme diretriz da CITES.

Morris, ex-investigador de crimes de guerra, disse que autoridades tanzanianas costumam atrasar ou omitir informações que ajudariam aliados regionais a rastrear redes de tráfico. Ele citou casos anteriores, incluindo a condenação de 2017 do contrabandista Boniface Malyango, ligada a uma rede que atuava pela Tanzânia, Quênia do Sul, Burundi, Moçambique e Zâmbia.

Em 2019, Yang Fenglan foi condenada na Tanzânia a 15 anos de prisão por liderar um sindicato criminoso e traficar mais de 800 presas de elefante. Conhecida como a “Rainha do Marfim”, Yang integrou o que seria uma das maiores cartéis do continente. A apelação foi rejeitada em 2021 pelo High Court.

Rachel Mackenna, chefe da campanha de elefantes da Environmental Investigation Agency, afirmou que o Global Environmental Crime Tracker registrou 50 apreensões de marfim na Tanzânia entre 2021 e 2025. Segundo ela, as apreensões mostram esforço do país no combate ao tráfico, mas faltam informações sobre desfechos de investigações e processos.

Ela reforçou que prisões e apreensões isoladas não configuram resultados de enforcement. Investigações subsequentes, incluindo cooperação com agências internacionais, são cruciais para mapear atores transnacionais, métodos e rotas do tráfico de marfim e de caça furtiva.

A reportagem contou com colaboração de Joyce Bazira, em Dar es Salaam.

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