- Em China, dois rins e um fígado de porco geneticamente modificado foram transplantados para a mesma pessoa em uma única cirurgia, pela primeira vez.
- O procedimento ocorreu em um homem de 53 anos com morte cerebral; o fígado, funcionando bem, foi doado para outro paciente.
- O porco utilizado teve seis modificações genéticas: três genes suínos removidos e três genes humanos adicionados, para reduzir rejeição e complicações.
- Dezenove horas após a cirurgia, o fígado começou a funcionar e os rins apresentaram melhoria; nas primeiras vinte e quatro horas não houve sinais de rejeição.
- Quarenta e oito horas após, surgiram sinais de rejeição, com necrose e alterações na coagulação; o experimento foi encerrado cinco dias após o transplante, e os pesquisadores destacaram adaptação do fígado ao funcionamento humano e alta concentração de células S100A12+, indicativas de inflamação.
Na China, pesquisadores realizaram um xenotransplante inédito em um homem clinicamente morto, com necrose cerebral. Foram transplantados dois rins e um fígado de porco geneticamente modificado, em uma única cirurgia. O objetivo é estudar a recepção de órgãos de animais por um humano.
O paciente tinha 53 anos e apresentava doença renal crônica grave. Após a autorização da família, os médicos mantiveram artificialmente o funcionamento dos tecidos, para executar o transplante de três órgãos de porco. O estudo foi divulgado pela Guangxi Medical University e pela revista Med.
O que foi feito
O fígado transplantado funcionou, em parte, já nas primeiras horas. Níveis de creatinina e ureia retornaram ao normal, sugerindo funcionamento dos rins. Não houve sinais de rejeição nas primeiras 24 horas.
Aos 36 horas, surgiram indícios de rejeição, com necrose localizada e alterações na coagulação do órgão. Mesmo assim, os órgãos continuaram operando. O experimento foi encerrado cinco dias após a cirurgia, a pedido da família.
Resultados e próximos passos
Os cientistas observaram que o fígado adaptou-se ao funcionamento humano ao longo do tempo. Também houve alta concentração de células imunológicas S100A12+, associadas à inflamação, o que pode orientar terapias futuras para reduzir rejeição.
O porco utilizado passou por seis alterações genéticas: três genes suínos removidos e três humanos adicionados, com o objetivo de diminuir rejeição e complicações. Ainda são necessários estudos adicionais antes de testar esse procedimento em pacientes vivos.
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