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Não se pode controlar tudo: cirurgiões plásticos enviados a criar rosto com IA

Pacientes chegam com visões geradas por IA, exigindo perfeição improvável; cirurgias não replicam precisão microscópica nem as promessas das imagens

Isaaq Tomkins holding up a mobile phone showing a radically altered image of his face
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  • Cresce o número de pacientes que chegam aos consultórios com visões de “AI face” criadas por chatbots, buscando resultados não realizáveis na prática.
  • Médicas e médicos especialistas, como a Dra. Nora Nugent e o Dr. Alex Karidis, dizem que imagens geradas por IA moldam expectativas e que a cirurgia não alcança o nível de detalhe microscópico apresentado.
  • As imagens da IA tendem a mostrar perfeição de pele, traços bem definidos e simetria quase absoluta, o que pode ser difícil ou impossível de reproduzir com cirurgia.
  • Há preocupação com a eficácia psicológica dessas imagens, que ficam gravadas na mente dos pacientes mesmo antes de consultarem um profissional, além de padrões de beleza amplamente influenciados pela IA.
  • Em um relato prático, a autora do texto pediu sugestões de IA para procedimentos e estimou custos: por exemplo, cerca de £ 25 mil para uma combinação de rinoplastia e blefaroplastia; resultados completos poderiam passar de £ 100 mil e ainda assim não reproduzir exatamente a aparência gerada pela IA.

O aumento de pedidos por cirurgias plásticas com base em imagens geradas por IA preocupa profissionais da área. Pacientes chegam aos consultórios com visões irreais de aparência, criadas por chatbots, e esperam resultados perfeitos. Médicos destacam que esses padrões são difíceis ou impossíveis de reproduzir na prática.

Doutora Nora Nugent, cirurgiã estética de Tunbridge Wells e presidente da British Association of Aesthetic Plastic Surgeons, relata casos em que clientes trazem fotos “melhoradas” por IA. Ela aponta que a demanda está crescendo conforme a IA se espalha pela vida cotidiana, e que muitos colegas observam o mesmo fenômeno.

Segundo o Dr. Alex Karidis, cirurgião de West London, as imagens geradas pela IA podem criar uma expectativa de detalhamento microscópico que a cirurgia não consegue oferecer. A percepção é muitas vezes reforçada antes mesmo do contato com o profissional.

A influência das imagens geradas por IA

Especialistas destacam que a IA pode impor padrões de beleza como simetria extrema, pele perfeita e traços moldados com facilidade, porém a anatomia humana não acompanha a mesma rigidez. Alterações como readequação de olhos ou ossos faciais podem exigir estruturas que a cirurgia não pode promover com segurança.

De Silva, cirurgião de Harley Street, explica que mudanças no nível do osso e do contorno orbital não são viáveis apenas com edição de pixels. A ideia de estética ideal difundida pela IA tende a ignorar limitações ósseas e o processo de cicatrização.

Profissionais ressaltam ainda a possibilidade de surgirem conteúdos clínicos nas redes sociais que aparentam resultados extraordinários, mas podem ser produzidos com recursos digitais ou serem manipulados. Essa prática levanta dúvidas sobre autenticidade e segurança.

Custos, riscos e esclarecimentos aos pacientes

A equipe clínica enfatiza que resultados não são garantidos e que há variação humana na cicatrização e envelhecimento. Pacientes devem compreender que a cirurgia tem limites e não pode atender a todas as expectativas criadas pelas imagens.

Em relatos de consultório, procedimentos sugeridos por IA costumam incluir intervenções como rinoplastia, blefaroplastia e preenchimentos, com orçamentos que variam amplamente. Profissionais alertam para riscos, custos e períodos de recuperação.

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