- Um número recorde de britânicos está recorrendo ao crowdfunding para cobrir aluguel e contas, com GoFundMe registrando mais campanhas de aluguel já em abril do que em qualquer outro mês.
- Doações para apoio a aluguel aumentaram cerca de 60% desde 2022, com mais de 100 mil pessoas por mês contribuindo para ajudar quem precisa.
- Casos compartilhados mostram dificuldades: Andrew Foster, em Derby, teve aluguel aumentado em cinquenta por cento e recorreu à plataforma para se mudar; o imóvel também sofreu com impactos do Brexit.
- Outro exemplo é Nick Jardine, na Cornualha, cuja família recebeu uma ordem de despejo sem culpa; conseguiram levantar mais de cinco mil libras para depósito e dívidas.
- Em Birmingham, Tayla Hopkins usou o GoFundMe para arcar com a cobrança de serviço de uma moradia compartilhada, que subiu de oitocentos para quatro mil e seiscentos libras ao ano.
O GoFundMe registrou recorde no Reino Unido de campanhas para cobrir aluguel e contas domésticas. Em abril, mais arrecadações ligadas a aluguel foram criadas do que em qualquer outro mês da plataforma.
A plataforma informou que doações para apoio a aluguel subiram 60% desde 2022, com mais de 100 mil pessoas contribuindo mensalmente para ajudar outras famílias a arcar com os custos habitacionais.
Segundo a empresa, o aumento reflete maior procura por apoio comunitário diante de pressões econômicas e de custos de moradia.
Andrew Foster, de 51 anos, recorreu à plataforma após o aumento de 50% no aluguel em Derby, reajuste que não pôde sofrer. Ele ganha a vida com a venda de miniaturas, mas o rendimento caiu 40% após o Brexit, dificultando manter a casa. Foster é cuidador em tempo integral da esposa, que tem condições mentais complexas.
Ele relata que precisou recorrer ao GoFundMe e, além disso, contratou um empréstimo. O objetivo era cobrir a mudança para uma nova moradia. Foster aponta que a campanha foi extremamente bem-sucedida, com o maior aporte isolado chegando a 300 libras. Mesmo após a fase inicial, ele mantém a página em atividade para custos pontuais.
Aumento de pedidos de auxílio habitacional também aparece em dados oficiais. Relatórios de uma solicitação de informações mostram que mais de 300 mil famílias por ano em Inglaterra e no País de Gales solicitaram, entre 2021-22 e 2023-24, pagamentos discricionários de habitação para aluguel ou caução.
O número de recusas dessas ajuda subiu 40% nesse período, de cerca de 96 mil para mais de 134 mil. A situação evidencia pressão contínua sobre políticas de assistência à moradia.
Nick Jardine, de 56 anos, voltou ao GoFundMe após a família ser notificada de despejo por motivo “sem falha” (section 21) no ano passado, em Cornwall. A escassez de moradias públicas locais levou a família a buscar rentas privadas para evitar o acolhimento em abrigo. Jardine descreve a campanha como uma última tentativa em meio a dificuldades.
A família conseguiu arrecadar mais de 5,5 mil libras, que serão usadas como caução de aluguel e para quitar dívidas após o andamento judicial do despejo. Jardine ressalta que recebeu doações de pessoas desconhecidas, destacando um sentimento de apoio comunitário diante da crise.
Tayla Hopkins, de 33 anos, também recorreu ao GoFundMe para cobrir encargos do serviço de uma moradia compartilhada em Birmingham, que subiu de 800 para 4,6 mil libras por ano. Em semanas, a campanha arrecadou 2,4 mil libras e recebeu mensagens de apoio de amigos e de pessoas desconhecidas.
Hopkins afirma que, apesar da vergonha de pedir ajuda, o gesto mostrou o quanto a comunidade pode acolher quem busca socorro. A protagonista aponta que a campanha também visa conscientizar sobre dificuldades em esquemas de moradia compartilhada, que elevam os custos aos moradores.
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