- Cientistas reuniram camundongos jovens e velhos; os jovens passaram a ter o microbioma dos idosos ao comer cocô deles.
- Um mês após a convivência, os ratos jovens começaram a apresentar sérios problemas de memória, semelhantes aos de envelhecimento.
- O efeito foi ligado à bactéria P. goldsteinii, que causa inflamação cerebral e também está presente em humanos.
- O estudo sugere que o microbioma pode causar danos físicos ao cérebro, indo além de associações com transtornos emocionais.
- A pesquisa foi conduzida por universidades da Califórnia, Pensilvânia e Stanford.
O estudo mostra que a relação entre o intestino e o cérebro pode ir além de efeitos comportamentais. Em camundongos, pesquisadores observaram danos cognitivos após a transmissão de microbiota entre grupos de idade. Aconteceu em ambiente controlado, com ênfase na memória.
Cientistas de três instituições dos EUA executaram o experimento envolvendo jovens e velhos. A troca de microrganismos ocorreu pela prática natural dos ratos de comer fezes, promovendo o compartilhamento do microbioma entre as gerações.
Um mês após a coabitação, os ratos jovens apresentaram déficits de memória compatíveis com envelhecimento acelerado. A causa apontada foi a bactéria *P. goldsteinii*, herdada dos animais mais velhos, capaz de provocar inflamação cerebral.
Detalhes do estudo e implicações
O trabalho aponta que o microbioma pode ter efeito direto no cérebro, não apenas influenciando humor ou comportamento. A bactéria citada foi identificada como responsável pelo quadro inflamatório que prejudicou a memória.
Os pesquisadores destacam que a *P. goldsteinii* também já foi encontrada em humanos, sugerindo possíveis relevâncias clínicas. A relação entre micro-organismos intestinais e doenças neurológicas é tema de investigações recentes.
A pesquisa reforça a necessidade de compreender as vias entre intestino e cérebro para entender transtornos cognitivos. Ainda não há consenso sobre como traduzir os resultados para tratamentos humanos.
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