- A Pfizer divulgou dados sobre o berobenatide, GLP-‑1 de ação prolongada adquirida da Metsera por US$ 10 bilhões, com objetivo de montar um portfólio de terapias para perda de peso na próxima década.
- Em estudo, a dose semanal mais alta levou a uma perda de 15,9% do peso corporal em oito meses, sem sinal de platô; em análise separada, houve fortes melhorias no controle glicêmico.
- A empresa destaca o potencial do medicamento para se tornar o primeiro tratamento de uso único mensal em sua classe, visando vantagem sobre rivais como Zepbound e Wegovy.
- Pfizer planeja grandes ensaios em 2026 com berobenatide, busca ampliar pesquisas fora dos Estados Unidos (China e Japão) e explorar indicações ligadas à obesidade, como apneia do sono e osteoartrite.
- A estratégia envolve ampliar produção e a rede de comercialização, internalizar a fabricação e avançar rumo a tratamentos metabólicos mais personalizados.
A Pfizer revelou avanços em sua estratégia para obesidade, apresentando dados de uma injeção experimental e traçando planos para competir com líderes de mercado. O foco é o berobenatide, GLP-1 de ação prolongada adquirido da Metsera por US$ 10 bilhões no ano passado. A divulgação ocorreu durante a Associação Americana de Diabetes em Nova Orleans.
Resultados publicados indicam que, na dose semanal mais alta, pacientes perderam 15,9% do peso corporal após oito meses, sem sinal de platô. Em estudo separado, houve melhoria no controle glicêmico em pacientes com diabetes, com baixa taxa de interrupção. A Pfizer sublinha o potencial de um medicamento mensal na sua classe.
Entre os achados, há também dados de pacientes com sobrepeso ou obesos sem diabetes, que na dose mais alta a cada quatro semanas perderam quase 15% do peso após 14 meses. A empresa destaca a vantagem de uma dosagem menos frequente frente concorrentes como Zepbound e Wegovy.
Mercado e competição
A obesidade é apontada pela Pfizer como uma oportunidade-chave, em meio a rivais já consolidados. A Lilly e Novo Nordisk já comercializam pílulas para perda de peso, enquanto Amgen desenvolve uma injeção mensal. A empresa busca, portanto, ampliar o portfólio de terapias metabólicas com pílulas, combinações e potenciais novas classes.
A Pfizer pretende testar berobenatide em larga escala nos EUA e em mercados internacionais, incluindo China e Japão. A estratégia envolve também ampliar a atuação fora do core dos EUA por meio de parcerias e de infraestrutura já existente, como plantas de fabricação de injetáveis.
Rumo à fase final e desenvolvimento
Em 2026, a Pfizer planeja realizar 10 estudos essenciais sobre obesidade e condições associadas apenas para o berobenatide, parte de um programa mais amplo. A empresa acredito que vencer na obesidade exigirá rapidez na inovação, capacidade de fabricação e adesão de médicos, pacientes e seguradoras.
A companhia também está explorando terapias de ação prolongada, com dados iniciais sugerindo possibilidade de administração a cada três meses. A meta é acelerar o desenvolvimento de um portfólio robusto de saúde metabólica, com potencial para tratar apneia do sono e osteoartrite do joelho.
Estrutura e produção
A Pfizer utiliza uma parceria com a Shanghai Fosun Pharmaceutical, por meio da unidade YaoPharma, para desenvolver uma pílula específica para obesidade, após insucesso em esforços internos. A empresa também internalizou boa parte da produção de berobenatide, deslocando a fabricação da Metsera para suas próprias instalações, o que pode reduzir custos.
O executivo Chris Boshoff, diretor científico, aponta que a presença de talentos trazidos da Metsera fortalece as áreas de descoberta e desenvolvimento. A Pfizer reforça que manterá uma visão de longo prazo para o tratamento de doenças metabólicas, com foco em inovação contínua.
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