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Auditoria aponta risco de continuidade em Marisa após prejuízo de R$ 95,8 mi

Auditores independentes emitem alerta formal sobre continuidade operacional da Marisa após prejuízo de R$ 95,8 milhões no 1º trimestre e passivo circulante acima do ativo

Administração da Marisa argumenta que está implementando ações para reestabelecer o equilíbrio econômico-financeiro. (Foto: Vitor Reis Primo)
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  • A Marisa teve prejuízo de R$ 95,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, e o passivo circulante superou o ativo circulante em cerca de R$ 446 milhões (consolidado) e R$ 441 milhões (individuais).
  • Auditores independentes emitiram alerta formal sobre continuidade operacional, indicando incerteza relevante quanto à capacidade da empresa de manter as operações.
  • O caixa caiu de R$ 48 milhões para R$ 10,6 milhões no período, e o patrimônio líquido recuou para R$ 128,8 milhões, queda de 43% em três meses.
  • A dívida líquida subiu para R$ 336,8 milhões, elevando o múltiplo dívida líquida/Ebitda de 0,8x para 1,3x no trimestre.
  • A rede consolidou o enxugamento com o fechamento da loja da Avenida Paulista, em São Paulo, mantendo o foco em reduzir custos e reorganizar o negócio.

A Lojas Marisa encerrou o primeiro trimestre de 2026 sob alerta formal de seus auditores independentes sobre a continuidade operacional. O relatório de revisão da BDO RCS Auditores Independentes trouxe parágrafo de ênfase nesse regard. A companhia teve prejuízo de R$ 95,8 milhões no período e o passivo circulante superou o ativo circulante em cerca de R$ 446 milhões.

No âmbito consolidado, o passivo circulante ficou em R$ 441,3 milhões, enquanto o ativo circulante foi de R$ 1,01 bilhão. O caixa caiu de R$ 48 milhões para R$ 10,6 milhões, e o patrimônio líquido encerrou o trimestre em R$ 128,8 milhões, frente R$ 224,2 milhões no fim de 2025. A dívida líquida subiu para R$ 336,8 milhões, elevando o múltiplo dívida líquida/Ebitda para 1,3x.

O relatório aponta incerteza relevante sobre a continuidade operacional, diante do menor espaço de manobra financeira. A gestão atribui o deterioro a preliminares de desempenho sob cenário desafiador, com Ebitda recorrente de lojas em alta de 60,6% (R$ 20,4 milhões) e custos sob controle, apesar do resultado consolidado ter sido impactado por uma base de comparação de 2025 inflada por créditos tributários.

Provisão tributária

A auditoria aponta ainda risco relacionado a contingências tributárias da controlada indireta M Serviços (ex-Cartões). A BDO sustenta que a companhia deveria ter constituído provisão para esse passivo, classificado como perda possível pela administração. Se reconhecida, a operação prejudicaria ainda mais o patrimônio líquido em cerca de R$ 210,8 milhões.

A Comissão de Valores Mobiliários já determinou o refazimento de demonstrações entre 2022 e 2025, com efeito suspensivo concedido posteriormente. A administração afirma que está adotando medidas para reequilibrar as finanças e manter a operação estável.

Encerramento da loja da Paulista

Como sinal de ajuste da rede, a Marisa encerrou as atividades da loja da Avenida Paulista, em São Paulo, próxima ao Masp. O ponto era visto como vitrine institucional da varejista desde sua fundação, em 1948.

A controladora da Marisa passou por reorganização societária desde 2022, com o controle atualmente pulverizado entre fundos de investimento. Empresas associadas respondem por grande parte do capital, mantendo a marca com foco em moda feminina, lingerie e linhas infantis. O Cartão Marisa representa cerca de 26% das transações.

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