- Alliança Saúde e Participações, antiga Alliar, captou empréstimo de emergência de até R$ 76 milhões para evitar a paralisação de operações.
- O dinheiro foi levantado pela subsidiária de diagnóstico Cura, diante do que a empresa chamou de “esvaziamento praticamente total” do caixa.
- O financiador é o fundo 287 FIP; exige garantia dupla (bens lastro e um garantidor) e oferece retorno mínimo de 1,45 vez o aporte mais CDI mais 12% ao ano.
- A companhia enfrenta queda de valor e perda de controle nos últimos anos; ações caíram de quase 35 reais para cerca de 3,24 reais, e o valor de mercado atual é em torno de R$ 970 milhões.
- O setor de saúde vive crise similar: Oncoclínicas e Kora buscaram recuperação extrajudicial; a Fitch rebaixou a nota de crédito da Alliança, que já enfrentava endividamento elevado.
A Alliança Saúde e Participações (AALR3), antes conhecida como Alliar, recorreu a um empréstimo de emergência de até 76 milhões de reais. O recurso visa evitar a paralisação de operações da empresa de medicina diagnóstica, que reconheceu um “esvaziamento praticamente total” de caixa em comunicado oficial.
O financiamento foi captado pela Cura, subsidiária de diagnóstico adquirida pela Alliança no ano passado. O fundo 287 FIP, financiador, garante retorno mínimo de 1,45 vez o valor aportado, mais juros básicos (CDI) mais 12% ao ano, com garantias de lastro e de um avalista.
Há cinco anos, ainda sob o antigo nome Alliar, a companhia era alvo de disputas entre Rede D’Or e Fleury, com ambições de se tornar a maior rede de diagnóstico do país. Nelson Tanure, investidor, assumiu controle em 2022, renomeou a empresa e prometeu expansão.
Desde então, a história se complicou. A ação da empresa caiu de quase 35 reais em 2023 para cerca de 3,24 reais em 18 de maio de 2026. O valor de mercado atual fica em torno de 970 milhões de reais, com apenas parte do capital disponível no mercado.
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A crise de liquidez se agravou com dívidas em atraso. Em abril, a empresa não pagou principal e juros de uma emissão de dívida vencida no dia 4, o que levou a Fitch a rebaixar o rating, sinalizando maior risco caso haja recuperação judicial.
Em 2025, o caixa era de 124 milhões de reais contra 295 milhões de dívidas que venceriam em breve, totalizando 545 milhões de reais. O ambiente interno também foi marcado por mudanças de liderança, com alternância entre gestores e a busca por reestruturação.
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Mudança de controle e evolução setorial
Tanure perdeu o controle da companhia após credores tomarem ações para cobrir uma dívida ligada à Ligga Telecom. A empresa passou para o controle do fundo Tessai, da gestora Geribá, que detém hoje quase 60% do capital.
O cenáriosetorial de saúde no Brasil também está sob pressão. Redes que cresceram via aquisições financiadas enfrentam juros mais altos e margens comprimidas. Nos últimos meses, Oncoclínicas e Kora já sinalizaram medidas para reorganizar dívidas.
A Alliança tem, neste momento, avaliação de estratégias para manter operações ativas, enquanto busca alternativas para estabilizar caixa e governança, sem anunciar conclusões ou planos definitivos.
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