- O TCU aponta que o Banco Master usou fundos de investimento e venda de carteiras para ocultar ativos problemáticos e enganar investidores e reguladores, diante de problemas de liquidez que contribuíram para a falência.
- O relatório destaca que, mesmo com mudanças regulatórias, as dificuldades cresceram: em 2021 o BC exigiu ajustes; em outubro de 2023 houve mudança que tornou mais onerosa a manutenção de dívidas com ordem judicial, instrumento que o Master possuía em grande volume.
- Em 2023 o banco enfrentou queda de liquidez, e, no início de 2024, já havia comprado o Will Bank, mantendo expansão mesmo com as fragilidades.
- O BC identificou que a Will Bank não investia adequadamente seus ativos e determinou um ajuste de 1,8 bilhão de reais; os novos recursos deveriam ser usados para cumprir obrigações anteriores.
- Planos de venda e de apoio do FGC não foram bem-sucedidos: houve proposta de venda ao Banco de Brasília por 2 bilhões de reais, queda de acordo em setembro, e, em novembro, a tentativa de venda a um grupo liderado pela Fictor Holding, seguida da prisão de Vorcaro.
O Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teve problemas de liquidez antes de novembro de 2024 e entrou em colapso em meio a manobras para ocultar perdas. Relatório detalha como o banco usou fundos de investimento e venda de carteiras para maquiar o balanço, enquanto ativos geravam caixa insuficiente para cumprir dívidas.
O relatório analisa a atuação do Banco Master e questiona a supervisão do Banco Central. A instituição captou recursos aquando da crise, mas o montante arrecadado ficou aquém do esperado. No final, o BC precisou intensificar a supervisão diária sobre a empresa.
O peso dessas falhas levou à falência do Master, que se tornou alvo do maior caso de fraude bancária do país. O TCU também avalia se houve falha de atuação regulatória frente à deterioração financeira.
Detalhes da liquidez e mudanças regulatórias
Em 2023, houve mudanças na classificação de dívidas com ordem judicial, elevando o custo dessas obrigações no balanço. O Master possuía mais de R$ 6 bilhões nesses instrumentos, enquanto ativos totais já eram bem maiores do que em 2019.
Os ativos geravam menos fluxo de caixa do que o necessário para honrar dívidas, mesmo com o banco expandindo atividades. O TCU aponta que esses desequilíbrios já eram detectados por reguladores desde 2021.
Mesmo diante da crise, o Master seguiu crescendo, incluindo a aquisição do Will Bank no primeiro semestre de 2024. A fiscalização do BC identificou falhas na gestão de ativos da fintech Will Bank, levando a ajustes de R$ 1,8 bilhão.
Desdobramentos e acordos
O BC determinou que novos recursos da Will Bank fossem destinados ao cumprimento de obrigações anteriores. Planos de venda para manter Vorcaro próximo da gestão surgiram, com expectativa de manter valor para credores.
Antes de um acordo com o Banco de Brasília (BRB), o Fundo de Garantia de Depósitos (FGC) entrou como garantidor de pagamentos de curto prazo aos investidores do Master. A intenção era reduzir perdas, conforme apurado pelo TCU.
Um acordo com o BRB foi cancelado pela autoridade reguladora em setembro, após suspeitas de ligações com gestores de ativos ligados a investigações sobre crime organizado. Vorcaro tentou nova captação e propôs plano de liquidação gradual até 2026.
Prisão e último movimento
Em novembro, a oferta de venda para um grupo liderado pela Fictor Holding chegou aos reguladores apenas sete horas após a votação pela liquidação. Na mesma noite, Vorcaro foi preso em São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai, segundo fontes próximas às investigações. Advogados de Vorcaro não comentaram.
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