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Ex-chefe do Windows 8 recrutou Epstein para negociar saída da Microsoft

Emails mostram Sinofsky buscando conselho de Epstein na negociação de sua saída da Microsoft e um acordo de US$ 14 milhões

Image: Steven Sinofsky with the Surface RT tablet in 2012.
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  • emails entre Steven Sinofsky, ex‑chefe do Windows, e Jeffrey Epstein mostram que Sinofsky pediu conselhos a Epstein durante a negociação de sua saída da Microsoft, em 2012, e chegou a pagar pelos serviços.
  • as mensagens indicam que Sinofsky negociou uma indenização de cerca de $ 14 milhões e buscou auxílio de Epstein para encontrar oportunidades na Apple ou Samsung.
  • em uma das conversas, Sinofsky repassou a Epstein um e‑mail confidencial sobre os problemas de lançamento do Surface, sugerindo um quadro financeiro difícil para o tablet.
  • Epstein também ajudou a organizar encontros de Sinofsky com Tim Cook e empresas como a Samsung, além de discutir possíveis oportunidades na Apple.
  • após o acordo, a Microsoft registrou uma baixa de $ 900 milhões relacionada ao Surface RT, efeito associado ao fracasso de vendas do dispositivo.

Steven Sinofsky, então chefe do Windows, recurou a Jeffrey Epstein para orientar sua saída conturbada da Microsoft em 2012 e negociações subsequentes de indenização, conforme os chamados Dossiês Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça na sexta-feira. Os e-mails mostram que Sinofsky buscava aconselhamento de Epstein quase em tempo real durante as tratativas, chegando a pagar pelos serviços ao fim do processo e a explorar vagas na Apple ou Samsung.

Uma das mensagens revela Sinofsky encaminhando a Epstein um e-mail confidencial entre executivos da Microsoft, de julho de 2013, que tratava dos problemas no lançamento do Surface e alertava para o risco de uma falha pública do Surface RT. A correspondência original foi enviada a Steve Ballmer, ex-CEO da Microsoft, em novembro de 2012, pouco antes da saída de Sinofsky da empresa.

Plano de saída e negociação de indenização

Os documentos indicam que a Microsoft esperava vender grande parte do Surface RT pela loja online, mas enfrentou dificuldades de venda; o tablet tinha processadores ARM e concorria com o iPad. Sinofsky descreveu, por e-mail, que as cifras de venda não batiam as expectativas e que havia risco de situação irreversível para o produto.

Segundo os e-mails, Epstein teria sugerido manter apenas a negociação de uma indenização maior, chegando a US$ 20 milhões, o que gerou meses de negociações até que, em julho de 2013, a empresa fechou um pacote de US$ 14 milhões. A relação entre Sinofsky e Epstein também envolveu encontros, almoços e jantares, além de contatos para oportunidades em Samsung e Apple, com Sinofsky mencionando inclusive reuniões com o CEO Tim Cook.

Contexto financeiro e desdobramentos

O acordo de indenização foi anunciado em julho de 2013, e a Microsoft transferiu o dinheiro meses depois. Na época, a empresa também registrou um impairment de US$ 900 milhões relacionado ao Surface RT, atribuído a ajustes de estoque após o lançamento. Os documentos indicam ainda que Sinofsky acompanhou contato com executivos da Samsung e com a possibilidade de uma colaboração para competir com o Google no mercado de software móvel.

Repercussões e posicionamento das partes

A Microsoft não comentou o conteúdo específico dos dossiês. Sinofsky, Epstein e executivos da Microsoft discutiram o papel de Sinofsky após a saída e a maneira como a história seria apresentada ao público e aos acionistas. As conversas também mencionaram a possibilidade de Sinofsky influenciar decisões internas e a cobertura da imprensa.

Relevância pública e cronologia

Os arquivos apontam que a relação entre Sinofsky e Epstein perdurou por anos após a saída da Microsoft, com encontros documentados até 2017, bem antes da prisão de Epstein em 2019 por crimes de tráfico de menores. Os dados ajudam a entender a complexidade da saída de Sinofsky e a abordagem de sua relação com Epstein, além de situar o contexto do lançamento do Surface e da estratégia de negócios da Microsoft na época.

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