- Gareth Evans, ex‑ministro australiano das Relações Exteriores, afirma que o Aukus será uma das piores decisões de defesa e política externa já tomadas pela Austrália.
- Ele testemunha em uma comissão pública independente sobre o acordo nuclear de 368 bilhões de dólares com os Estados Unidos e o Reino Unido, dizendo que a transferência de submersíveis é, na prática, uma extensão da frota militar americana.
- Evans nega que a dissuasão nuclear estendida justifique a submissão australiana, afirmando que o EUA não viria ajudar em um ataque existencial e só interviria se seus ativos no solo norte‑americanos estiverem ameaçados.
- O ex‑ministro aponta que os submarinos de classe Virginia, a serem entregues a partir de 2032, são improváveis devido a atrasos e escassez, e que os cinco submarinos de nova concepção SSN‑Aukus serão extremamente difíceis de viabilizar.
- A comissão inicia audiências públicas pelo país para avaliar o acordo, com críticos e apoiadores apresentando seus argumentos; o governo afirmou que continuará defendendo o projeto, enquanto o Reino Unido já planeja iniciar o corte de aço para as novas unidades no próximo ano.
Aukus é apontado como uma das piores decisões de defesa e política externa já tomadas pelo governo australiano, segundo Gareth Evans, ex-ministro das Relações Exteriores. Ele afirma que a percepção de que os EUA defendem a Austrália em caso de ataque existencial é uma ilusão indevida.
Durante audiência de uma investigação pública independente sobre o acordo nuclear de 368 bilhões de dólares com EUA e Reino Unido, Evans disse que a transferência de submarinos para a Austrália a partir de 2030 seria, na prática, uma extensão da frota militar americana. Ele questionou a garantia de defesa em caso de ataque significativo.
Audiência pública e reações
Evans, ministro de 1988 a 1996, sustenta que a administração norte-americana não interviria se houver um ataque existencial à Austrália e só atuaria se seus ativos no solo australiano estivessem ameaçados. Ele descreve a ideia de dissuasão nuclear estendida como uma pretensa proteção, que não se sustenta.
O ex-ministro também afirma que a entrega de três submarinos classe Virginia, a partir de 2032, é improvável devido a atrasos e escassez na frota dos EUA, e que os cinco submarinos de nova geração SSN-Aukus, desenvolvidos em conjunto com o Reino Unido, serão difíceis de viabilizar. A complexidade e o cronograma da segunda fase exigem “níveis ainda maiores de otimismo”.
Evans aponta ainda que o orçamento estimado pelo governo para o acordo é especulativo. Ele afirma que, para Washington, os submarinos servem mais como ativos suplementares vinculados ao comando militar dos EUA, adotando um papel de localizar, rastrear e atacar submarinos chineses.
O comitê da investigação observa que o projeto reforça a aliança com os EUA e coloca a Austrália como alvo potencial em caso de conflito. Em Melbourne, o painel contará com a participação de ex-ministros e ex-autoridades, como Peter Garrett e Chris Barrie, além de especialistas e diplomatas.
Reação de governo e andamento do acordo
Atual governo trabalhista tem sustentado a importância estratégica de Aukus, apesar das críticas de alguns membros do próprio partido. O ministro das Relações Exteriores, Penny Wong, e o ministro da Defesa, Richard Marles, mencionaram discussões com interlocutores britânicos sobre o tema em conversas recentes.
O Reino Unido confirmou que o primeiro aço para os novos submarinos será cortado no próximo ano, em meio a atrasos no programa britânico atual e custos superiores ao previsto. Wong ressaltou que a capacidade submarina é crucial para a soberania australiana em um cenário global cada vez mais contestado, reconhecendo os desafios do projeto.
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