- Marrocos alegadamente abatido por drone o jovem Lahbib M. Abdelaziz, dirigente militar e político do Polisário, em ataque no Saara Ocidental.
- A operação reforça a suposta superioridade aérea de Marrocos, que opera com drones israelenses e turcos e vem no contexto de conflitos desde o rompimento do cessar-fogo em 2020.
- O Polisário afirma perder dezenas de combatentes e civis em ataques com drones atribuídos a Marrocos; Rabat busca consolidar domínio tecnológico e militar na região.
- Marrocos passou a fabricar drones no seu território, com parceria de Blue Bid Aero Systems (Israel) e Baykar (Turquia), além de buscar controle sobre radares, câmeras e sistemas de tiro.
- A missão da ONU para o Saara Ocidental (Minurso) confirmou apenas que um veículo militar do Polisário foi atingido por drone em área próxima ao muro de separação e à fronteira com a Mauritânia.
Marrakech ampliou sua superioridade aérea no Saara ao usar drones contra o Frente Polisário, intensificando a pressão sobre a linha de frente. A ação, atribuída a ataques com veículos aéreos não tripulados, resultou na morte de Lahbib M. Abdelaziz, jovem chefe militar e político do Polisário, filho de um dos fundadores da organização.
O ataque ocorreu em um momento de tensionamento e medição internacional. Lahbib M. Abdelaziz era visto como possível substituto de Brahim Gali, líder do Polisário, que hoje tem 80 anos. A operação coincide com a visita do enviado da ONU para o Saara, Staffan de Mistura, aos campos de refugiados em Tinduf, na Argélia.
Marrakech reforça a percepção de superioridade com uma frota de drones, incluindo modelos israelenses e turcos. O país produz grande parte dos equipamentos no território, com o apoio de duas parceiras estratégicas: Blue Bid Aero Systems (IAI, Israel) e Baykar (Turquia). A meta seria ampliar controle técnico de radares, sensores e comunicações em zonas não sob controle direto.
Especialistas apontam que o uso dos drones tem sido decisivo desde a ruptura do cessar-fogo, em 2020. Eles visam limitar incursões para leste do muro de separação e funcionam como ferramenta de dissuasão, sem, por si s, resolverem o conflito, segundo analistas militares citados pela imprensa regional.
O Polisário já havia denunciado inúmeras mortes decorrentes de ataques aéreos atribuídos a Marruecos. Em 2021, foi reportada a morte de um chefe da Guarda Nacional saharauí e, meses depois, civis também teriam sido atingidos por drones. A Organização ressalta impacto humano e deslocação de pessoas nos campos em Tinduf.
As capacidades de defesa e ataque de Marruecos se apoiam em investimentos significativos. Em 2025, o país elevou gastos militares para cerca de 6,3 bilhões de dólares, refletindo 3,5% do PIB, segundo o Sipri. Argelia, principal adversária regional, também aumentou seus dispêndios, intensificando a corrida militar no Magrebe.
Paralelamente, as maniobras African Lion, com participação de Estados Unidos e aliados, passaram a incluir o Saara Ocidental pela primeira vez em 2025. O objetivo é demonstrar prontidão e capacidades de resposta rápida na região, incluindo o uso de drones e sistemas de guerra eletrônica.
Na prática, a comunidade internacional acompanha de perto as implicações dessa escalada. A Missão da ONU para o Referendo no Saara Ocidental (Minurso) confirmou apenas que um veículo militar do Polisário foi atingido por drone próximo ao muro de terra, na fronteira com a Mauritânia, sem detalhes adicionais.
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