- Vinci Compass mantém a aposta de que o Banco Central fará cortes de juros de 0,50 ponto percentual neste ano, mesmo com a guerra no Oriente Médio.
- A gestora reduziu “um pouco” as posições em juros no Brasil, mas segue esperançosa com o ciclo de cortes.
- O preço do petróleo Brent subiu quase 40% desde o início do conflito, acima de US$ 100 o barril, elevando temores de inflação e impactos na curva de juros.
- Lovisotto aponta que a independência energética do Brasil e a possibilidade de queda do dólar podem ajudar a compensar efeitos inflacionários.
- A atividade externa tem favorecido fluxos para mercados emergentes, e não espera saída substancial de estrangeiros da bolsa brasileira a curto prazo, a menos que o cenário se agrave.
A Vinci Compass, maior gestora independente de fundos da América Latina, sinaliza que o ciclo de cortes de juros no Brasil deve seguir em frente, mesmo com a escalada dos preços do petróleo e o acionamento do conflito no Irã. A instituição reduziu levemente posições em juros no Brasil, mantendo a projeção de cortes de 0,50 ponto percentual neste ciclo.
Segundo Fernando Lovisotto, sócio e head de IP&S global, a empresa continua acreditando em um ajuste de 300 a 350 pontos-base na SELIC ao longo de 2024, apesar de o cenário externo mais volátil ter freado a velocidade dos cortes. O petróleo acima de 100 dólares ajuda a pressionar a inflação e a curva de juros, porém não muda a visão de política monetária.
A elevação recente de Brent, após o início do conflito, elevou a percepção de risco na ponta longa da curva, com expectativa de um corte menor na próxima semana. O Brasil, com independência energética, pode mitigar parte dos impactos por meio de exportações de petróleo e possível queda do dólar, aponta Lovisotto.
A Vinci Compass mantém a visão de que investidores globais continuam buscando diversificação, o que sustenta demanda por ativos de mercados emergentes. O executivo não prevê saída expressiva de estrangeiros da bolsa brasileira, caso não haja agravamento do cenário geopolítico.
Dados da empresa apontam que, em dezembro de 2025, a Vinci Compass possuía cerca de R$ 354 bilhões em ativos sob gestão e assessoria, com atuação regional por meio de onze escritórios na América Latina e nos EUA, em áreas como private equity, crédito e infraestrutura.
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