- Luis Stuhlberger, da Verde, afirmou que o valor justo para o dólar seria de R$ 4,40, cerca de 15% abaixo da cotação atual de R$ 5,20, em painel no LAIC, promovido pelo UBS.
- Mesmo com o real tendo se valorizado em torno de 11% no último ano, a moeda permanece entre as menos beneficiadas pela tendência de desvalorização global do dólar.
- O gestor destacou que a direção do dólar depende de fatores como a política fiscal brasileira e a economia do país, e não há garantia de convergência para o patamar apontado.
- A fala também mencionou a hipótese de Donald Trump tentar desvalorizar o dólar para tornar exportações dos EUA mais competitivas, influenciando a percepção de câmbio.
- Em cenário eleitoral, especialistas mencionam que a possibilidade de ajuste fiscal no próximo governo pode impactar o dólar, com impactos diferentes conforme o curso das políticas fiscais.
O gestor do Fundo Verde, Luis Stuhlberger, projeta um valor justo para o dólar em 4,40 reais. A cotação atual gira em torno de 5,20 reais, conforme painel realizado no Latin America Investment Conference (LAIC), promovido pelo UBS.
Stuhlberger destaca que, mesmo com o real valorizando-se no ano passado, a moeda brasileira ficou entre as menos beneficiadas pela rodada global de queda do dólar. O movimento deve seguir, segundo ele, influenciado pela política externa norte-americana.
O executivo afirma que a avaliação não garante convergência automática para 4,40 reais. O cenário depende de fatores como a política fiscal brasileira e as decisões econômicas nacionais, especialmente em ano eleitoral.
Perspectivas sobre o dólar e política fiscal
A análise aponta que, caso haja uma percepção de mudança favorável ao mercado após as eleições, o dólar poderia recuar rumo ao patamar considerado justo. A atenção fica voltada para sinais de ajuste fiscal no curto prazo.
Especialistas discutem o impacto de políticas fiscais. Um cenário de ajuste ordenado indicaria juros em queda, enquanto um atraso ou desatino fiscal pode levar a pressões para cima na Selic, aumentando a incerteza.
Bruno Serra Fernandes, do Itaú, afirma que o ciclo eleitoral tende a tornar o mercado mais cauteloso. O mercado observará especialmente as escolhas do novo governo para conter gastos no início de 2027.
Risco eleitoral
Rodrigo Azevedo, sócio da Ibiuna Investimentos, analisa que uma revisão fiscal é provável, mas o formato — ordenado ou desordenado — permanece incerto. Um ajuste ordenado pode sustentar a trajetória de queda dos juros.
Se o ajuste não ocorrer, sustentam os interlocutores, cenários externos favoráveis ao governo atual podem não impedir uma crise. A trajetória da moeda dependerá da continuidade ou mudança de política fiscal.
Em linha com esse diagnóstico, o mercado também aguarda definições sobre o Ministério da Fazenda. O desempenho fiscal futuro será observado como potencial condicionante para os próximos movimentos de risco.
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