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IA complica a busca por moradia ao prometer casas impossíveis

A IA permite estagiar virtualmente imóveis, enganando inquilinos e impulsionando ações legais e novas regras para anúncios imobiliários

Image: The Verge; Stuccco; Box Brownie
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  • Corretores em Nova York usam IA para alterar fotos de anúncios, deixando imóveis menores parecerem maiores e mais atrativos, o que dificulta a comparação pelos inquilinos.
  • Joyce, moradora da cidade, encontrou um apart apartamento de sonho, mas o imóvel visto online era diferente do real, levantando suspeita de uso de IA na imagem.
  • Profissionais do setor dizem que o uso de IA para “stagings” virtuais pode enganar compradores e locatários, gerando anúncios que parecem melhores do que a realidade.
  • Leis nos Estados Unidos começam a exigir disclosures sobre IA em anúncios: Nova York aprovou norma de divulgação de IA; Califórnia avançou com lei que obriga informar quando imagens foram alteradas por IA.
  • Inquilinos relatam aumento de anúncios com IA em plataformas como StreetEasy, com descrições parecidas e padrões repetidos de linguagem.

A prática de simulação virtual de ambientes está ganhando força no mercado imobiliário, e pode apresentar imóveis de forma muito mais atraente do que a realidade. Em Nova York, listagens com recursos de IA ajudam a criar imóveis que parecem maiores, mais modernos e com mobília completa, mesmo quando o espaço é apertado.

Joyce, moradora da cidade, relatou que encontrou o apartamento dos sonhos em Manhattan após meses de busca por opções caras e pequenas. A propaganda mostrava um studio arejado com lareira e cozinha recém renovada, o que não condiz com a realidade ao visitar o imóvel.

Ao chegar, Joyce descobriu que o apartamento visto online era diferente do que estava disponível. O espaço real era menor, com a pia da cozinha diferente e a lareira ausente. Ela percebeu sinais de que a imagem havia sido alterada, destacando um detalhe inusitado: uma planta na fogueira que não existia.

Mercado imobiliário usa ferramentas de IA para “stage” virtualmente os ambientes, o que facilita visualizar móveis e redesigns. Profissionais ouvidos na reportagem destacaram que esse recurso costuma custar entre 40 e 400 dólares por anúncio, bem abaixo do estagio tradicional.

Uma corretora de imóveis da Flórida afirmou que o uso de IA para estagiar casas pode ir além de simples remodelações, potencialmente enganando consumidores se não houver transparência. Ela citou casos em que anúncios parecem reais, mas contêm alterações digitais com uso de IA.

Moradoras de Nova York relatam que descrições de anúncios passam a soar repetitivas, como se utilizassem o mesmo vocabulário. Termos como charmosa, acolhedora e acabamentos de spa aparecem com frequência, levando compradores e locatários a questionar a veracidade das informações.

Alguns estados já atuam para coibir a prática. Nova York aprovou lei que exige divulgação de uso de IA em anúncios, com foco maior em performers sintéticos do que em móveis alterados. A secretaria de Estado emitiu alerta sobre anúncios enganosos com IA.

A Califórnia avançou com lei de imagem Alterada, que obriga a divulgação quando IA é usada para alterar ou aprimorar fotos de imóveis. As regras variam de estado para estado, refletindo a complexidade regulatória do tema.

Joyce informou que percebe ainda que as descrições parecem geradas por IA, com padrões de linguagem repetitivos. Ela sugere que corretores utilizem IA com transparência, evitando promessas enganosas em anúncios.

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