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Mercado de imóveis de alto padrão em São Paulo entra no pior momento desde 2017

Alto padrão em São Paulo atinge pior estoque desde 2017: 26 meses para imóveis com mais de quatro dormitórios e 23 meses para unidades acima de 180 m²

Analistas do BTG Pactual recomendam cautela em relação às construtoras de imóveis para famílias de alta e média renda
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  • Imóveis de alto padrão em São Paulo têm estoque equivalente a 26 meses para unidades com mais de quatro dormitórios e 23 meses para imóveis acima de 180 m², o pior nível desde 2017.
  • Dentro do segmento, a piora é mais acentuada em unidades maiores e mais caras, acima de três dormitórios e com preço acima de R$ 2,1 milhões.
  • Com o ritmo atual de vendas, levaria mais de dois anos para zerar o estoque existente sem novos lançamentos.
  • Em abril, o programa Minha Casa Minha Vida foi o motor do setor, respondendo por 75% dos lançamentos e 69% das vendas, com velocidade de 12,1%.
  • O PIB da construção civil registrou alta de 1,2% ao ano e 2,9% no trimestre, enquanto o índice FipeZap mostrou alta de 5,6% ao ano em termos nominais e 0,9% em termos reais; em São Paulo e Rio, os preços ficaram praticamente estáveis em termos reais.

O mercado de imóveis em São Paulo viveu um momento de maior encalhe para o segmento de alto padrão, enquanto o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) acelerou a atividade em outros estratos. Segundo o BTG Pactual, unidades com mais de quatro dormitórios chegaram a 26 meses de estoque, e imóveis acima de 180 m² ficaram com 23 meses. Esses patamares indicam o pior nível desde 2017.

A diferença entre os segmentos é acentuada: o MCMV apresentou desempenho robusto, com maior velocidade de lançamentos e vendas. Em abril, o subsídio governamental e condições de políticas públicas foram apontados como motores do setor, impulsionando o desempenho do conjunto do mercado.

No estudo do BTG Pactual, o estoque de alto padrão acima de 180 m² responde pela maior deterioração, sobretudo entre imóveis de três dormitórios ou mais, com preço acima de R$ 2,1 milhões. Caso não haja renovação de lançamentos, a estimativa é de mais de dois anos para zerar a disponibilidade.

Analistas destacam a relação com o cenário macroeconômico, incluindo juros elevados que elevam o custo de financiamentos. A cautela em relação a construtoras de imóveis para famílias de alta e média renda é associada a esse ambiente, ao passo que a demanda de baixa renda permanece resiliente.

Dados do Secovi-SP, referentes a abril, mostraram que o MCMV respondeu por 75% dos lançamentos e 69% das vendas do período, com velocidade de 12,1% de comercialização. O segmento de baixo custo aparece como importante polo de atividade diante do aperto financeiro.

O relatório aponta ainda fatores macroeconômicos que devem impactar o setor, como custos de insumos em razão da guerra no Oriente Médio, disponibilidade de mão de obra, e redução da jornada de trabalho. A CBIC descreve esse cenário como desafio para o mercado imobiliário.

Paralelamente, o PIB da construção civil cresceu 1,2% ao ano e 2,9% no 1T26, revertendo queda do fim de 2025. A CBIC atribui esse movimento ao volume de lançamentos, aos investimentos em infraestrutura e ao orçamento do MCMV. A projeção, contudo, continua sujeita a juros elevados.

O índice FipeZap mostrou alta de 5,6% nos preços nominais de imóveis em maio, mas apenas 0,9% em termos reais. Em São Paulo e no Rio, os ganhos reais ficam próximos de zero a negativo, sinalizando estabilização de preços para as grandes cidades.

Nos malls, as vendas recuaram 2,9% ao ano em abril, após alta de março. A Abrasce aponta que parte da queda se deve ao efeito calendário da Páscoa, que antecipou compras para o mês anterior.

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