- O dólar disparou nesta sexta-feira e atingiu máxima de R$ 5,16, com alta de 1,48%.
- Às 15h20, a cotação operava em R$ 5,14; o câmbio não superava R$ 5,10 desde o início de abril.
- O payroll de maio indicou a criação de 172 mil vagas, acima do esperado, com taxa de desemprego em 4,3%.
- Os números reforçam a percepção de que a economia dos Estados Unidos segue aquecida, o que tende a sustentar o dólar e reduzir espaço para cortes de juros neste ano.
- Para o Brasil, o recuo do espaço para cortes e juros elevados no exterior pressionam o câmbio e podem impactar o Ibovespa e a atuação do Banco Central.
O dólar avançou nesta sexta-feira, 5, atingiu a máxima de R$ 5,16 e encerrou o dia com alta de 1,48%. A casa de câmbio seguiu acima de R$ 5,10 pela primeira vez desde o início de abril, mantendo o patamar próximo de R$ 5,15 por volta das 15h20.
O movimento foi impulsionado principalmente pelos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, com o payroll de maio indicando criação de 172 mil vagas, bem acima da expectativa de 80 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4,3%. O resultado reforçou a percepção de uma economia norte-americana ainda aquecida.
Analistas destacam que o dado reduz o espaço para cortes de juros por parte do Fed neste ano, mantendo o aperto monetário por mais tempo. O cenário aumenta a percepção de força do dólar frente a outras moedas, criando pressão sobre o câmbio brasileiro.
Para o Brasil, o contexto é de pressão de curto prazo sobre o real. Juros americanos mais elevados por mais tempo tendem a manter o dólar firme e a influenciar o Ibovespa, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Além disso, a perspectiva de continuidade do aperto monetário nos EUA impacta o custo de captação de empresas brasileiras e o fluxo de capitais estrangeiros, conforme avaliação de gestores de renda variável e renda fixa. O cenário influencia ainda as expectativas de inflação doméstica.
Impactos no câmbio e no cenário doméstico
O payroll de maio sugere que a economia americana continua com tração, ainda que com cautela diante de juros elevados, petróleo pressionado e incertezas geopolíticas. Com isso, o Fed pode ser mais contido em eventuais cortes de juros neste ano.
Especialistas ressaltam que o efeito imediato para o Brasil envolve o câmbio mais volátil e a necessidade de monitorar o ritmo da inflação e as sinalizações do banco central brasileiro. A Selic permanece em patamar elevado, o que complica a ancoragem de expectativas.
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