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Demanda crescente por açaí ameaça diversidade de aves na Amazônia

Expansão da monocultura de açaí reduz diversidade de aves na Amazônia, com queda de 28% nas espécies frugívoras e impactos ecológicos

Birds like the white-throated toucan (Ramphastos tucanus), which builds its nests in the hollows of tall trees, can no longer find them for nesting.
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  • O estudo aponta queda de 28% no número de espécies de aves frugívoras em áreas com maior densidade de palmeiras de açaí, no entorno de florestas de várzea na Amazônia.
  • Além disso, aves insectívoras também diminuíram, pois produtores limpam a understory (mata de sub-bosque) para facilitar a colheita e o transporte do fruto.
  • Os pesquisadores acompanharam 36 áreas de cultivo de açaí, em Belém, Barcarena, Abaetetuba e Igarapé-Miri, com 127 horas de gravações e quase 3.580 aves registradas.
  • A demanda crescente levou a produção a Saltar de 1987 para 1,9 milhão de toneladas em 2024, com exportações brasileiras de derivados de açaí (principalmente polpa e suco) em 2025 atingindo 177,2 milhões de dólares.
  • Sugerem que monocultivos de açaí devem ser desencorajados e que populações ribeirinhas diversifiquem com culturas como cacau e andiroba, para reduzir impactos na biodiversidade e promover renda anual.

O aumento da plantação de açaí na Amazônia está reduzindo a diversidade de aves em áreas de várzea. Estudo publicado na Biological Conservation aponta queda de 28% no número de espécies em zonas com densidade maior de palmeiras de açaí.

A pesquisa monitorou 36 áreas de floresta onde o fruto é cultivado, em Belém, Barcarena, Abaetetuba e Igarapé-Miri, a chamada capital mundial do açaí. Foram realizados 127 horas de gravação de campo e 3.580 aves identificadas.

Coautores destacam que o manejo intensivo não afeta apenas frugívoros, mas também insetívoros. A retirada de vegetação inferior para facilitar a colheita eleva o risco de desequilíbrio ecológico e de redução de serviços como dispersão de sementes.

O estudo mostra que poucas espécies se beneficiam de práticas intensivas, entre elas o great kiskadee. Já espécies maiores, como o purple-throated fruitcrow, estão cada vez menos presentes na região.

Há evidências de biotecnização ambiental, com fechamento de nichos ecológicos e redução de pontos de descanso e reprodução para aves. Especialistas chamam a atenção para a necessidade de manejo que preserve a diversidade biológica local.

Açaí e biodiversidade

O avanço da monocultura de açaí está associado à perda de plantas nativas e à substituição pela palma, o que reduz o conjunto de espécies vegetais responsáveis por funções ecológicas.

Pesquisadores apontam que a expansão do plantio pode levar a uma homogenização biológica, com comunidades de aves menos ricas e menos resilientes a mudanças ambientais.

A equipe de Freitas ressalta que ações para diminuir a monocultura e promover cultivos alternativos, como cacau e andiroba, podem manter a renda local e a biodiversidade, especialmente fora da safra do açaí.

Desafios e caminhos

Os especialistas defendem maior fiscalização e apoio técnico aos produtores, para cumprir requisitos ambientais sem prejudicar a competitividade. Equilíbrio entre controle ambiental e promoção econômica é visto como essencial.

Estudos anteriores de Freitas já associam a expansão do cultivo à perda de espécies vegetais e funções ecológicas em áreas alagáveis. Soluções incluem diversificação de culturas e manejo sustentável de margens de rios.

A pesquisa reforça a necessidade de estratégias que associem biodiversidade, clima e desenvolvimento regional, para que o crescimento do setor não comprometa a integridade dos ecossistemas.

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