- Relatório do Tribunal de Contas Europeu aponta dependência do bloco de minerais críticos e terras-raras, ressaltando que metas de energia renovável para 2030 podem não ser atingidas.
- A auditoria afirma que mineração, refino e reciclagem ainda são pouco desenvolvidos na União Europeia, e que demoram até vinte anos para projetos minerais se tornarem operacionais.
- Entre os minerais estudados, a UE importa grande parte de sete deles, incluindo 97% do magnésio, 71% do gálio e 31% do tungstênio.
- Em terras-raras, a China controla entre setenta e ±74% de seis minerais-chave, como neodímio e praseodímio, usados em ímãs permanentes.
- A reciclagem também fica atrás: apenas 16 materiais críticos são reciclados na UE, e nenhum dos 17 metais de terras-raras é minerado no bloco.
O Tribunal de Contas Europeu (ECA) divulgou um relatório que aponta a dependência do bloco deminérios críticos e terras raras, essenciais para smartphones, turbinas eólicas e aeronaves. O estudo avalia a capacidade da UE de atingir 42,5% de energia proveniente de renováveis em 2030 e revela déficits em produção, refino e reciclagem no continente.
Segundo o relatório, a extração e a exploração na UE continuam subdesenvolvidas, e mesmo when novas jazidas são encontradas, pode levar até 20 anos para um projeto minerário entrar em operação. Essa demora compromete a contribuição prevista para 2030, destacando vulnerabilidade na cadeia de suprimentos.
A auditoria alerta que esforços para diversificar importações ainda não geraram resultados tangíveis. A UE depende fortemente de China e de países do sul global para sete dos 26 minerais analisados, além de altos percentuais de alguns insumos críticos.
Dependência estratégica e metas 2030
Entre os dados, o relatório aponta importações de 97% de magnésio, 71% de gálio e 31% de tungstênio. Relacionados a terras raras, a China controla entre 69% e 74% de seis minerais importantes, incluindo neodímio e praseodímio, usados em ímãs permanentes.
O estudo também mostra que, em 2024, 17 mil das 20 mil toneladas de ímãs permanentes usados pela indústria da UE vieram da China. Lítio depende em grande parte do Chile; o maior fornecimento de boro, usado em painéis solares, vem da Turquia, segundo a ECA.
Desdobramentos e reações
O relatório coincide com declarações da comissária europeia da Indústria, que disse que a Europa corre o risco de ser apenas um campo de atuação de seus concorrentes sem uma política industrial ambiciosa. A ECA acrescenta que parcerias com sete países com governança fraca não aumentaram o abastecimento entre 2020 e 2024.
O documento também cita eventos internacionais: o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, acelerou a cooperação com o Japão em minerais críticos em Tóquio, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, convocou uma cúpula em Washington para coordenar diversificação de suprimentos, incluindo lítio, níquel, cobalto, cobre e terras raras.
Implicações para a transição energética
A ECA enfatiza que “muitos projetos estratégicos vão enfrentar dificuldades para assegurar o fornecimento de matérias-primas críticas até 2030”. Sem esses insumos, não há transição energética, competitividade ou autonomia estratégica para a UE, segundo o relatório.
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