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MEC lança licenciatura intercultural indígena

Licenciatura intercultural indígena é oferecida na Terra Indígena Capoto/Jarina com 60 vagas e investimento de R$ 1,5 milhão, fortalecendo educação própria

MEC lança novo curso de licenciatura intercultural indígena
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  • MEC, em parceria com a UFMT, lançou no dia 16 de junho a Licenciatura Intercultural Indígena na Aldeia Piaraçu, Terra Indígena Capoto/Jarina, Mato Grosso.
  • São sessenta vagas, com carga horária de 3.216 horas, distribuídas nos eixos de pedagogia, linguagens e humanidades, ciências da natureza e matemática, para os povos Mẽbêngôkre, Trumai e Tapayuna.
  • A formação será ofertada dentro do território, integrando saberes tradicionais e línguas indígenas, e faz parte do Programa de Apoio à Formação Superior e às Licenciaturas Interculturais (Prolind).
  • A iniciativa atende a uma reivindicação histórica liderada pelo cacique Raoni Metuktire e outras lideranças, fortalecendo o acesso à educação superior sem deixar as comunidades.
  • Além disso, em 2026, a Secadi investirá mais R$ 600 mil para formação continuada de 280 professores indígenas, com participação da UFMT e da UnB.

Em uma iniciativa que reforça a educação própria, o MEC, em parceria com a UFMT, lançou a Licenciatura Intercultural Indígena na Aldeia Piaraçu, Território Capoto/Jarina, Mato Grosso. A cerimônia ocorreu na terça-feira, 16 de junho, após viagem da comitiva pela região.

A formação, com 60 vagas e carga de 3.216 horas, será oferecida no território, respeitando línguas e saberes locais dos povos Mẽbêngôkre (Kayapó), Trumai e Tapayuna. O curso receberá investimentos de R$ 1,5 milhão.

O projeto integra o Programa de Apoio à Formação Superior e às Licenciaturas Interculturais (Prolind) e visa ampliar o acesso a docentes sem deslocar as comunidades. A estrutura pedagógica une temas de pedagogia, línguas, ciências, matemática e humanidades.

Participantes e significado

A entrega atende a demandas históricas do Território Etnoeducacional (TEE) Mẽbêngôkre, com envolvimento de lideranças tradicionais, educadores e gestores. O cacique Raoni Metuktire apareceu entre os apoiadores da medida.

Zara Figueiredo, secretária da Secadi, ressaltou que a iniciativa cria oportunidades de formação sem perder identidade cultural. A turma ficará dentro das aldeias, respeitando saberes locais e processos de ensino.

Onice Dalloglio, da UFMT, destacou que a parceria nasceu de uma demanda coletiva e diferencia-se de formações que exigem saída do território. A proposta busca atender anseios do povo de forma participativa.

Desafios e contexto

Dados do Censo 2022 mostram crescimento da população indígena no Brasil, com 1,65 milhão de pessoas. Ainda assim, apenas 38,5% dos docentes indígenas têm educação superior completa. A maioria tem formação de nível médio.

No TEE Mẽbêngôkre, que abrange quatro municípios, existem 16 escolas indígenas atendendo 1.017 estudantes da educação básica, com 94 docentes ativos. Desses, 32 possuem educação superior.

Política e investimentos adicionais

A oferta se insere na Política Nacional de Educação Escolar Indígena nos Territórios Etnoeducacionais (PNEEI-TEE), criada pela Portaria MEC 539/2025. O objetivo é ampliar educação multilíngue, intercultural e diferenciada.

A Secadi também irá investir R$ 600 mil em 2026 para formação continuada de 280 professores indígenas, incluindo educadores dos povos Mẽbêngôkre, Panará, Terena, Tapayuna e Trumai, da Capoto/Jarina.

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