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11,5 mil adolescentes em medidas socioeducativas; CCJ debate maioridade penal

CCJ retoma debate sobre reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos; Brasil registra 11.542 adolescentes em medidas socioeducativas

Menores infratores comentam a redução da maioridade penal — Foto: Glauco Araújo/G1
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  • Até o fim de abril, o Brasil tinha 11.542 adolescentes e jovens cumprindo medidas socioeducativas, segundo o CNJ.
  • A CCJ da Câmara retoma o debate sobre PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos; a proposta foi apresentada em 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota.
  • Atualmente, adolescentes que cometem atos infracionais cumprem medidas socioeducativas, como internação, internação provisória, semiliberdade ou internação‑sanção.
  • Há resistência entre especialistas: opositores dizem que a proposta endurece o sistema, enquanto pesquisadores apontam que a maioria dos atos envolve roubo e tráfico de drogas, não crimes violentos.
  • Questões sobre constitucionalidade também são levantadas, já que a imputabilidade aos 18 anos é entendida por parte da doutrina como cláusula pétrea da Constituição; há comparação com modelos de outros países.

O Brasil tem 11,5 mil adolescentes em medidas socioeducativas até o fim de abril, conforme o CNJ. A cifra ocorre à luz do retorno do debate na CCJ da Câmara sobre reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos. A proposta foi apresentada em 2015 e voltou à pauta após trancar a PEC da Segurança Pública.

A discussão ocorre na Câmara dos Deputados, na Comissão de Constituição e Justiça. A proposta prevê responsabilização penal de jovens a partir de 16 anos em crimes violentos. Hoje, atos infracionais são tratados dentro do sistema socioeducativo, com medidas como internação e semiliberdade.

Dados do sistema socioeducativo

Levantamento do SINASE aponta que roubo e tráfico de drogas somam mais de 58% dos atos infracionais cometidos por adolescentes em 2024. As medidas incluem internação, internação provisória, semiliberdade e internação-sanção. A prioridade é a proteção e o desenvolvimento do jovem.

Ponto de vista técnico

Especialistas divergem sobre o tema. A pesquisadora Mariana Chies critica o uso de casos extremos para justificar redução, chamando a abordagem de populista. Ela afirma que a maioria dos jovens envolve atos relacionados a tráfico ou crimes contra o patrimônio.

Aspectos jurídicos e políticos

O juiz Rafael Cardoso, presidente do FONAJUV, lembra a diferença de resultados entre modelos: retorno ao sistema é menor no adolescente do que no adulto. A ideia de reduzir a maioridade para 16 é vista como inverter a lógica de responsabilização. Já Marina Araújo aponta que o sistema prisional está em um estado crítico, segundo o STF.

Panorama internacional

Especialistas destacam que 80% dos países signatários da ONU mantêm a maioridade aos 18, com modelos intermediários entre 18 e 21 anos. A discussão envolve não apenas prática, mas a constitucionalidade da PEC. Muitos juristas entendem a idade de 18 como cláusula pétrea.

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