- Ministério da Justiça mandou um ofício ao TikTok, dando cinco dias para explicar a tendencia “se ela disser não”, na qual homens simulam violência caso a mulher não aceite pedidos de casamento.
- A pasta afirma que o dever de cuidado da plataforma vai além de remover conteúdos pedidos pela Polícia Federal, prevendo remoção imediata sem necessidade de solicitação.
- O ofício, assinado pelos secretários de Direitos Digitais, Segurança Pública e Consumidor, questiona a circulação massiva dos vídeos e a possibilidade de falha sistêmica.
- A trend ganhou força entre 2023 e 2025; fãs reproduzem a cena com a frase na tela e encenação de agressões, incluindo socos, lutas ou golpes com faca.
- Dados do g1 apontam que 20 vídeos analisados somam mais de 175 mil interações; a PF derrubou perfis e abriu inquérito sobre os vídeos virais. O Brasil teve recordes de feminicídio em 2025, com 1.470 mortes.
O Ministério da Justiça enviou um ofício ao TikTok determinando que a rede social se explique em cinco dias sobre a trend “se ela disser não”. A prática envolve homens simulando ações violentas contra mulheres caso haja uma recusa. O objetivo é avaliar a obrigação de cuidado da plataforma.
O documento, assinado por três secretários: Direitos Digitais, Segurança Pública e do Consumidor, aponta que a circulação massiva dos vídeos questiona a capacidade de cumprir deveres de cuidado. O ministério afirma que a remoção deve ocorrer de forma rápida, independentemente de solicitação oficial.
A reportagem do g1 apurou que a trend vem ganhando espaço desde 2023, com vídeos de perfis variados e números expressivos de interação. PF já derrubou perfis e abriu inquérito para investigar as imagens que simulam violência contra mulheres.
Contexto
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 mulheres mortas no país por esse crime. Em 2024, foram 1.464 casos, mantendo a média de cerca de quatro mortes diárias.
Atrend circula com a frase associada a cenas de começo de relacionamento que evoluem para agressões. O formato simples facilita a reprodução, envolvendo a repetição de cenas com variações mínimas.
Segundo o blog da jornalista Julia Duailibi, a Polícia Federal já realizou ações para derrubar perfis e abriu investigação sobre os vídeos virais. A discussão ocorre em meio a ações de combate à violência contra a mulher e ao discurso de ódio na internet.
Medidas e próximos passos
A pasta reforça que a responsabilidade do TikTok não se limita a atender pedidos da PF, mas envolve remoção imediata de conteúdos que promovem ou incentivam violência. O Ministério solicita resposta em cinco dias para avaliação de medidas.
Especialistas apontam que a tendência facilita a disseminação de conteúdo nocivo e pode normalizar o comportamento violento. A dúvida persiste sobre como plataformas poderão monitorar e remover conteúdos rapidamente diante de grandes volumes.
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