- O ministro do STF André Mendonça alertou os fiéis da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, para não seguirem a cobiça ou propostas financeiras tentadoras, em sermão divulgado no Instagram na terça-feira, 24.
- O sermon falou sobre as tentações do poder, comparando três tentações de Jesus com os três poderes que a igreja enfrenta: financeiro, político e espiritual.
- Mendonça é o novo relator do inquérito do Banco Master, tendo assumido o posto no dia 12; a Polícia Federal atualizou o andamento do caso na segunda-feira, 23.
- A PF localizou, no âmbito do caso, um contrato de 129 milhões de reais entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, além de other indícios ligados ao ex-relator.
- O contexto político envolve a indicação de Mendonça por Jair Bolsonaro em 2021 para o STF, a menção de “terrivelmente evangélico” na fala de Bolsonaro, e o aceno de Lula a Jorge Messias, indicado para o STF, com circunstâncias ainda em análise.
O ministro André Mendonça, do STF, pediu nesta terça-feira aos fiéis da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, que não se deixem levar por cobiças financeiras ou propostas tentadoras. Ao falar sobre “as tentações do poder”, ele alinhou a mensagem com o tema das três tentações descritas na Bíblia, apontando riscos financeiros, políticos e espirituais. O pronunciamento ocorreu em tom de sermão divulgado no Instagram, enquanto Mendonça atua como novo relator do inquérito envolvendo o Banco Master.
Durante a pregação, Mendonça comparou as tentações ao funcionamento dos três poderes na igreja, destacando que o desejo pode desviar princípios. Ele enfatizou que o poder, quando não guiado por valores, se transforma em tentação. O ministro orientou os fiéis a discernirem entre propostas de Deus e vaidade pessoal, mantendo foco no direcionamento espiritual.
Paralelamente, o inquérito do Banco Master ganhou novos contornos. Mendonça assumiu a relatoria no dia 12 deste mês e já se reuniu duas vezes com delegados da Polícia Federal para entender o andamento das investigações. A PF atualizou o magistrado sobre o andamento do caso na segunda-feira (23).
Contexto do inquérito Master
O caso ganhou repercussão após a PF encontrar menções a autoridades no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do banco envolvido. Além disso, circulam informações de que irmãos de Dias Toffoli teriam sido sócios de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, fato que motivou mudanças no andamento do inquérito.
A PF também identificou um contrato entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, no valor de 129 milhões de reais. Esses indícios ampliaram o escrutínio sobre a atuação de integrantes da Corte, levando a ajustes no fluxo de perícias e depoimentos.
Avanços na apuração e decisões
Na primeira audiência com Mendonça, o objetivo foi obter um panorama do que já havia sido feito pela polícia e os próximos passos. A PF, na atualização seguinte, detalhou o andamento das diligências. No dia 19, Mendonça autorizou a retomada do fluxo ordinário de perícias e depoimentos, revertendo decisão anterior de Toffoli que limitava o acesso aos dados.
A Procuradoria-Geral da República e a PF recorreram de decisões anteriores, o que levou Mendonça a restabelecer a autonomia da PF para periciar celulares, mantendo o sigilo máximo. A recomendação envolve apenas alguns peritos para acompanhar a extração de dados.
Contexto político e histórico
O histórico aproxima Mendonça de figuras políticas de influência recente. Em 2021, o então presidente Jair Bolsonaro indicou Mendonça para o STF, com o rótulo de “terrivelmente evangélico”. A composição da CCJ da Câmara na época demorou a sabatinar Mendonça, gerando atritos políticos. Em apoio a outras nomeações, Mendonça acabou por endossar a indicação de Jorge Messias à AGU, indicado pelo presidente Lula.
Em 2025, Messias participou de um culto em São Paulo ao lado de Mendonça, episódio que reacende questionamentos sobre equilíbrio entre fé e atuação institucional. A nomeação de Messias ainda não foi formalizada junto ao Senado.
Este primer conjunto de acontecimentos situa Mendonça no centro de debates sobre ética, transparência e separação entre os poderes, com a atuação do STF sob escrutínio público. O desdobramento do caso Master continua a ser acompanhado por autoridades, imprensa e o público, com novas audiências e decisões esperadas.
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