- Vídeos da Justiça Federal mostram ex-colaborador da 13ª vara de Curitiba afirmando, diante da juíza Gabriela Hardt, que atuava como “informante” de Sergio Moro e tinha autonomia para pedir grampos a alvos da investigação.
- A gravação levanta novas acusações sobre supostos abusos da atuação da Justiça Federal local ligada a Moro, hoje senador, investigado pelo STF por uso de delatores para alcançar objetivos dentro da vara.
- O ex-deputado Tony Garcia diz ter sido chamado por Moro para debater casos e pedir que pessoas de interesse da investigação fossem gravadas, chegando a usar o telefone da 13ª vara para contatar alvos.
- Garcia afirma ter assinado acordo para expor um suposto esquema de venda de sentenças e diz ter levado uma pessoa-chave para o acordo, oferecendo proteção para não ser preso.
- Moro afirmou que a investigação é baseada em relatos fantasiosos de Tony Garcia e não pode comentar o material; o jornalista responsável pela matéria já havia publicado exercício semelhante em 2023.
Vídeos gravados pela Justiça Federal mostram um ex-colaborador da 13ª vara de Curitiba afirmando à juíza Gabriela Hardt que atuava como informante do ex-juiz Sergio Moro, hoje senador. Segundo o relato, ele tinha autonomia para indicar grampos de investigados, atuando fora do papel clássico de delator.
A gravação integra uma série de acusações sobre atuação da Justiça Federal no Paraná envolvendo Moro. O senador é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por suposta utilização de delatores para alcançar alvos fora da jurisdição da vara em que atuou. Moro tornou-se parlamentar em 2023.
O ex-deputado Tony Garcia, segundo as gravações, alega ter sido chamado para assinar acordo envolvendo um suposto esquema de venda de sentenças. Ele diz ter atuado como infiltrado do Ministério Público por mais de dois anos, com apoio da Polícia Federal para solicitar interceptações.
De acordo com o material, Moro discutia com Hardt os rumos do caso e orientava a busca por novos delatores. Garcia sustenta que utilizou o telefone da 13ª vara para contatar alvos, incluindo a ideia de evitar prisões durante as tratativas do acordo.
A coluna já informou que Moro é alvo de apuração no STF por uso da estrutura da Justiça Federal do Paraná para coagir autoridades. Em resposta, Moro alegou que as informações são relatos fantasiosos de um colaborador condenado, sem acesso aos autos para comentar o inquérito.
Em nota, Moro afirmou que a delação mencionada não tem relação com a Lava Jato e que a acusação se baseia em relatos antigos. O senador reiterou que não comenta materiais judiciais dos inquéritos que disse não ter acesso.
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