- O vice-líder da oposição, Sanderson, protocolou no CNJ um pedido para instaurar um Processo Administrativo Disciplinar contra o ministro Alexandre de Moraes e pediu afastamento cautelar.
- O requerimento baseia-se em reportagens que apontam supostos contatos reiterados de Moraes com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante a análise da operação do Banco Master e a venda ao BRB.
- O documento afirma que houve ligações telefônicas e ao menos um encontro entre Moraes e Galípolo, em momento de divergências sobre medidas a serem tomadas, inclusive uma possível intervenção.
- Também é citado que Moraes teria manifestado posicionamentos favoráveis ao Master, com técnicos do BC considerando as abordagens atípicas, o que levou a registrar reuniões para preservar a autonomia das decisões.
- O ofício destaca ainda contrato milionário do escritório Barci de Moraes Associados, pertencente à esposa do ministro, com o Banco Master, para representação junto a órgãos públicos, e solicita abertura de apuração, com documentos, agendas e oitiva de técnicos do BC.
O vice-líder da oposição na Câmara, Ubiratan Sanderson (PL-RS), protocolou no CNJ um PAD para o ministro do STF Alexandre de Moraes. O pedido solicita afastamento cautelar durante a apuração. A ação envolve Moraes e supostos contatos com o BC sobre o Banco Master.
O requerimento, datado de 24 de dezembro, baseia-se em reportagens que apontam conversas entre Moraes e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante a análise da venda do Master ao BRB. O objetivo seria influenciar decisões técnicas do BC.
Segundo o documento, houve ligações e ao menos um encontro com Galípolo enquanto o BC avaliava a operação. A depender de aval interno, a negociação envolvia a defesa de posicionamentos favoráveis ao Master, segundo as denúncias.
Contexto técnico e legal
O pedido cita relatos de reuniões e comunicações registradas pelo BC para preservar a autonomia do processo decisório. Técnicos teriam visto as falas como atípicas, o que motivou documentação formal.
A apuração também aponta que o Master tinha irregularidades graves, incluindo um repasse de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos ao BRB. A liquidação extrajudicial da instituição foi decretada e há investigações da Polícia Federal.
Escritório da esposa de Moraes
O documento destaca que o escritório Barci de Moraes Associados, ligado à esposa do ministro, mantinha contrato com o Master. O contrato previa remuneração milionária e a atuação na defesa de interesses da instituição junto a órgãos públicos.
De acordo com as reportagens citadas, o escritório não teria pedido audiência formal aos órgãos como o BC ou o Cade. Ainda assim, o parlamentar sustenta que a atuação pode configurar conflito de interesses ou violação de imparcialidade.
Pressões e finalidade do pedido
Relatos de bastidores sobre possível interferência externa em investigações também são mencionados. Não há comprovação documental, mas o deputado sustenta que a notícia de pressão indevida justifica apuração independente.
O pedido não afirma ilícitos, apenas solicita abertura de PAD para apurar condutas de Moraes, com requisição de documentos, agendas e oitiva de técnicos do BC, caso haja necessidade.
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