- Silvinei Vasques, ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal, foi preso no Paraguai nesta sexta-feira e recebeu condenação de 24 anos e seis meses por participação na trama golpista ligada às eleições de 2022; embargos ainda não foram resolvidos.
- Ele havia assumido a direção da PRF em abril de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, e, em janeiro, passou a ocupar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José, em Santa Catarina.
- Vasques já ficou preso preventivamente entre agosto de 2023 e agosto de 2024, sendo autorizado a deixar a prisão por decisão do ministro Alexandre de Moraes; desde então, cumpria medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica.
- A condenação envolve uso da estrutura da PRF para organizar blitzes em rodovias, principalmente no Nordeste, com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores e favorecer Bolsonaro; o Ministério Público Federal pediu o afastamento dele em 2022 por uso indevido do cargo.
- A gestão dele é associada ao bolsonarismo, com apoio explícito a Bolsonaro nas redes sociais e a ações administrativas, como a revogação, em 2022, das comissões de direitos humanos da PRF, o que gerou investigação do MPF.
Silvinei Vasques, ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi preso nesta sexta-feira no Paraguai. Ele foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão pela chamada trama golpista ligada às Eleições de 2022. A decisão envolve uso da estrutura da PRF para facilitar o deslocamento de eleitores em rodovias, principalmente no Nordeste, em benefício do então presidente Jair Bolsonaro.
O ex-diretor-geral da PRF assumiu o cargo em abril de 2021, durante o governo de Bolsonaro. Em janeiro, Vasques foi nomeado secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José, em Santa Catarina, pelo prefeito Orvino Ávila (PSD), aliado de Bolsonaro. A condenação não implica cumprimento imediato, já que há possibilidade de recursos.
Vasques já havia passado um ano preso preventivamente. O período de prisão ocorreu entre agosto de 2023 e agosto de 2024, com autorização para deixar a prisão concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Desde então, seguia em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
A ação penal envolve a investigação de abuso de cargo para favorecer a campanha de 2022. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a solicitar, em novembro de 2022, o afastamento de Vasques por suposto uso indevido do cargo durante as operações no segundo turno. A defesa ainda pode apresentar embargos.
Trajetória na PRF
Vasques é servidor público desde 1995, com formação em Ciências Econômicas, Direito e Administração. Antes de chefiar a PRF, ocupou cargos de liderança em superintendências em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, além de coordenar operações nacionais. Em 2022, ele revogou o funcionamento das comissões de direitos humanos da PRF, o que gerou investigação do MPF.
A gestão dele na PRF ficou associada a episódios controversos. Pouco depois da revogação das comissões, a atuação da corporação em Sergipe resultou na morte de Genivaldo de Jesus Santos, caso que teve ampla repercussão pública. A condenação atual não altera a própria função de Vasques no passado nem retira impactos dessas decisões administrativas.
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