- Nove militares na reserva foram condenados no Uruguai a penas de 11 anos a 15 anos e meio de prisão por privação ilegal de liberdade, abuso de poder e agressão qualificada no caso conhecido como “Caso Roslik”.
- As condenações referem-se a crimes ocorridos na reta final da ditadura, incluindo detenção sem mandato e tortura de diversas pessoas.
- Em abril de 1980, houve uma grande operação em San Javier durante a qual o médico Vladimir Roslik foi raptado e torturado; ele foi libertado, mas sob vigilância e ameaças.
- Roslik foi novamente detido na madrugada de 15 de abril de 1984 e morreu no dia seguinte em Fray Bentos, no 9º Batalhão de Infantaria, episódio que ficou associado entre as últimas mortes da ditadura.
- O Ministério Público continua investigando os acontecimentos de 1980 e 1984, com foco em outras vítimas, e destacou que dezenas de pessoas foram ilegalmente privadas de liberdade na época, incluindo adolescentes. A área de San Javier fica no departamento de Rio Negro, conhecida pela comunidade russa local.
Nove militares da reserva foram condenados no Uruguai por tortura ocorrida durante a ditadura. As sentenças variam entre 11 anos e 15 anos de detenção, no marco do julgamento conhecido como Caso Roslik.
Os réus foram indiciados em outubro de 2023 e acusados de privação ilegal da liberdade, abuso de poder e agressão qualificada. Segundo a acusação, as vítimas foram detidas sem mandado judicial e submetidas a tratamento cruel.
O processo trata da operação de 29 de abril de 1980, quando forças armadas se deslocaram a San Javier, Rio Negro, capturando um grupo de homens, incluindo o médico Vladimir Roslik, e torturando-os. Roslik foi libertado em julho, mas permaneceu sob vigilância.
Em 15 de abril de 1984, Roslik foi novamente sequestrado, levado ao 9º Batalhão de Infantaria de Fray Bentos e torturado. Roslik faleceu no dia seguinte, sendo o caso um marco da última fase da ditadura no país, que perdurou entre 1973 e 1985.
De acordo com o Ministério Público, os fatos de 1980 e 1984 envolvem perseguição na colônia de San Javier, reconhecida como a principal comunidade russa do Uruguai. O procurador Ricardo Perciballe afirmou que dezenas de pessoas foram privadas de liberdade nesses meses.
Entre na conversa da comunidade