- A CPMI do INSS terá um relatório alternativo de governistas que aponta oito núcleos para fraudes em descontos de aposentadorias e pensões, com cerca de cento e setenta indiciamentos.
- O núcleo central é liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador que articula os demais grupos e controla recursos.
- Ao redor dele atuam sete braços: Núcleo Conafer; Núcleo CBPA; Núcleo Maurício Camisotti; Núcleo “Golden Boys”; Núcleo Cecília Mota; Núcleo Alexsandro Prado, o “Lequinho”; e Núcleo Domingos Sávio.
- O relatório cita também servidores e ex-integrantes do governo Bolsonaro, incluindo Onyx Lorenzoni, com indícios de ligações com entidades investigadas.
- A apresentação ocorre no mesmo dia em que o relator Alfredo Gaspar lê seu parecer; governistas tentam aprovar a versão alternativa antes do encerramento, previsto para vinte e oito de março, após decisão do STF.
O relatório apresentado pela base governista da CPMI do INSS sustenta a existência de uma estrutura organizada em oito núcleos para operacionalizar fraudes em descontos associativos sobre aposentadorias e pensões. A leitura do documento ocorre na mesma semana em que o relator oficial, deputado Alfredo Gaspar, concluirá seu parecer. A expectativa é votar a versão alternativa antes do encerramento dos trabalhos.
Conforme o texto, o esquema não funcionou de forma aleatória, mas foi estruturado com divisão de tarefas, fluxo financeiro coordenado e participação de operadores privados e agentes públicos. A peça aponta responsável central por articular os grupos, controlar recursos e manter vínculos com servidores e intermediários.
Núcleos e atuação
O núcleo central seria chefiado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador que articulava os demais núcleos e mantinha ligações com atores do meio.
Ao redor dele aparecem sete braços de atuação, com características distintas:
- Núcleo Conafer, ligado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares, sob Carlos Roberto Ferreira Lopes, responsável pela escala dos descontos.
- Núcleo CBPA, sob Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, com função de arrecadação e distribuição de recursos, mesmo sem base de associados.
- Núcleo Maurício Camisotti, voltado a articulações empresariais e financeiras em São Paulo.
- Núcleo Golden Boys, grupo composto por Américo Monte Jr., Anderson Cordeiro, Felipe Macedo Gomes e Igor Delecrode, que ampliaram o esquema e mantiveram gastos elevados com os descontos.
- Núcleo Cecília Mota, com atuação em Fortaleza, estruturado por empresas ligadas e movimentações financeiras suspeitas.
- Núcleo Alexsandro Prado, conhecido como Lequinho, baseado em Sergipe, que operava por meio de entidades de fachada e laranjas.
- Núcleo Domingos Sávio, liderado por Domingos Sávio de Castro, atuando como operador financeiro e participando de empresas de call center usadas para captar dados de aposentados e viabilizar autorizações fraudulentas.
Quem mais está envolvido
O relatório cita servidores e ex-integrantes do governo Bolsonaro, incluindo pessoas que ocuparam cargos no INSS e no Ministério do Trabalho e da Previdência. Entre os citados aparece Onyx Lorenzoni, ligado a episódios envolvendo doações eleitorais e relações com entidades investigadas.
Além disso, o documento aponta falhas de fiscalização e afirma que denúncias apresentadas ainda em 2020 não teriam sido devidamente enfrentadas, o que teria permitido a continuidade e expansão do esquema nos anos seguintes.
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