- A vitória europeísta Nikol Pashinián em oito anos de governo árduo levou a derrota do candidato pró‑Múich, abrindo Armenia para Estados Unidos e Europa e sinalizando enfraquecimento da influência russa no Cáucaso.
- Na União Europeia, o Kremlin perdeu aliados-chave: Hungria (Orbán) em abril, Moldávia com apoio a um governo pró‑Europa em 2025 e Romênia com a vitória de Nicușor Dan, em maio de 2025.
- Na região, a Bulgária teve ganho diplomático para Moscou apenas pela via de um aliado eurocético; Rumen Radev lidera o país com posições que favorecem Vladimir Putin em alguns contornos.
- China se posiciona como grande vencedora do enfraquecimento russo, com benefícios econômicos reais: deságio de petróleo de cerca de 12 bilhões de dólares e participação relevante no comércio de bens com Rússia.
- O quadro geral indica que a política externa russa enfrenta repetidos reveses, com Washington e Beijing explorando a fraqueza, enquanto a relação com aliados no Oriente Médio e na Ásia se transforma com efeitos de longo prazo.
Rússia vive série de derrotas na política externa, enquanto seu peso no tabuleiro internacional encolhe. O desgaste ocorre após eleições em países aliados e manobras de potências concorrentes. O contexto aponta para um recuo estratégico de Moscou diante de Washington, Pequim e seus adversários regionais.
Armenia e Moldávia aparecem como exemplos recentes de recuo de alinhamento. Em Yerevan, o candidato próximo da Europa venceu as urnas, abrindo espaço para maior aproximação com Washington e Bruxelas. Em Moldávia, o governo eurocético avança, reduzindo a influência de Moscou na região.
Hungria e Romênia, também citadas, mostraram mudanças no equilíbrio do Leste Europeu. A vitória de governos pró-Europa enfraquece a capacidade de Moscou de influenciar políticas de blocos vizinhos. No Cáucaso, o panorama aponta para maior autonomia de Armenia em relação a Moscou, com negociações de paz com a Azerióbia e perspectiva de adesão à UE.
A relação com a China é apresentada como a grande virada estrutural. Estudos apontam que Pequim obtém vantagem com a parceria, obtendo vantagens comerciais e investimentos significativos. O conjunto de dados indica que a China fornece grande parte dos bens importados pela Rússia e recebe em contrapartida petróleo com desconto.
Xi Jinping emerge como peça central, enquanto a dependência russa se acentua. Analistas indicam que a cooperação sino-russa deixa de ser relação de iguais e passa a uma aliança mais desequilibrada, com ganhos para a China em detrimento de Moscou. A depender do cenário, essa matriz pode redefinir a geopolítica regional.
No Cáucaso e na Europa Oriental, os impactos se estendem à Otan e aos blocos euroasiáticos. Em Armenia, há perspectiva de reforço de laços com a UE, ainda que o país permaneça na União Econômica Eurasiática e na Organização do Tratado de Segurança Coletiva. O terreno político é analisado como decisivo para o futuro do equilíbrio regional.
Na região, a tensão entre interesses de Estados Unidos, Rússia e China molda decisões estratégicas. O alinhamento com EUA e Europa, especialmente por parte de Armenia, é visto como fator que pode redefinir a segurança no Cáucaso e influenciar negociações com Azerbéijão e Irã.
O quadro atual também mostra mudanças em outras frentes estratégicas. Em partes da Ásia Central, o cha da Rússia perde influência frente à expansão de acordos com a UE e a China, com reformas econômicas locais favorecendo novas parcerias. Em Oriente Médio, a posição russa fica mais vulnerável diante de mudanças no tabuleiro regional.
Entre as perguntas que ficam, está o destino de Irã e os desdobramentos com a administração dos Estados Unidos. Analistas ressaltam que, sem ser mediador eficaz, Moscou verá seus aliados perder espaço diante de uma nova configuração de poder, em que a China e o Ocidente disputam a liderança regional.
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