- A Fiscalía da Áustria abriu, em 25 de abril, investigação envolvendo um cidadão austríaco e uma pessoa não identificada, por possível participação em viagens organizadas para atirar em civis durante o cerco de Sarajevo.
- O Ministério da Justiça confirmou a abertura do procedimento e pediu compreensão para não divulgar detalhes do estado da investigação ou dos próximos passos.
- A deputada Alma Zadic, de origem bosnía, afirmou que os crimes de guerra suspeitos precisam ser investigados e julgados, sem espaço para impunidade.
- O caso ganhou notoriedade após reportagens e o documentário Sarajevo Safari; autoridades italianas indicam pagamentos entre oitenta mil e cem mil euros por viagens.
- Estima-se que, entre 1991 e 1995, passageiros de diferentes nacionalidades teriam ido a Sarajevo para mirar civis, com milhares de vítimas civis registradas no conflito.
Desde o dia 25 de abril, a Fiscalía de Austria investiga a participação de um cidadão austríaco, e de uma segunda pessoa ainda não identificada, em viagens organizadas para disparar contra civis na frente de Sarajevo, durante a guerra na Bósnia.
Os chamados “safáris humanos” envolveriam franco-tiradores que recebiam pagamento para atirar de colinas próximas à cidade, entre 1991 e 1995. Estimativas iniciais apontam valores entre 80.000 e 100.000 euros por participação.
Confirmação institucional e contexto
O Ministério Público da Áustria confirmou o início do procedimento e pediu compreensão quanto à impossibilidade de divulgar detalhes sobre o estado das investigações ou próximos passos, por questões estratégicas.
Alma Zadic, deputada verde de origem bosníaca, comentou ao Der Standard que as acusações referem-se a crimes de guerra graves e precisam ser apuradas com total rigor, sem impunidade.
Origens e desdobramentos
A apuração de Milão já havia aberto investigação em novembro passado, após denúncia de Ezio Gavazzeni. O documentário Sarajevo Safari reuniu relatos de supostos financiadores estrangeiros que pagariam pela participação em ataques contra civis.
Segundo Gavazzeni, um ex-soldado apontou que viagens eram organizadas por uma agência com sede em Londres, apoiada por um grupo milanês. Relatos indicam que cerca de 230 italianos teriam participado, além de outros nacionalidades.
Entre 1992 e 1996, Sarajevo ficou cercada, com mais de 11 mil civis mortos na tentativa de atravessar a área conhecida como “avenida dos francotiradores”, exposta aos disparos de colinas ao redor.
Observações finais
Segundo relatos, haveria tarifas diferentes, inclusive para crianças, segundo depoimentos citados na investigação. Autoridades italianas e europeias seguem cruzando informações para esclarecer responsabilidades e possíveis redes envolvidas.
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