- Putin chega a Pequim para uma visita de estado, a 25ª, quatro dias após a saída de Trump da China.
- Xi Jinping e Putin já se encontraram mais de quarenta vezes, fortalecendo a relação entre os dois países.
- Em discurso publicado, Putin disse que as relações China–Rússia atingiram nível sem precedentes, destacando o aumento do comércio bilateral e pagamentos quase inteiramente em rublos e yuan.
- Os líderes discutem cooperação energética, incluindo a possível construção do Power of Siberia 2; a Rússia já vendeu mais de $ 367 bilhões em combustíveis fósseis para a China desde o início da invasão da Ucrânia.
- 2026 marca 30 anos da parceria estratégica e 25 anos do tratado de boa vizinhança e cooperação; a China continua resistente a sanções ocidentais.
Vladimir Putin chegará a Pequim nesta terça-feira para uma visita de estado, quatro dias após a passagem de Donald Trump pela China. O 25º encontro entre o líder russo e o presidente chinês, Xi Jinping, reforça a aproximação entre Moscou e Pequim e ocorre em meio a tensões com a Otan e o Ocidente.
A viagem de Putin ocorre em um momento de estreita cooperação entre Rússia e China, com Beijing elevando sua posição no cenário diplomático global. Os dois países já realizaram mais de 40 encontros, segundo a imprensa estatal chinesa, destacando uma relação mais próxima que envolve comércio, energia e cooperação política.
Segundo avaliações, Xi Jinping pode buscar demonstrar para Washington que a China mantém relações estáveis com parceiros estratégicamente relevantes, incluindo a Rússia, mesmo diante de tentativas de isolamento de Washington. Analistas observam que o encontro simboliza confiança de Beijing no papel internacional que ocupa.
Putin publicou um pronunciamento em vídeo na véspera da visita, anunciando que as relações sino-russas atingiram um nível sem precedentes. O discurso ressaltou o crescimento do comércio bilateral e a predominância de moedas locais em transações, com reduções no uso do dólar.
A China afirmou que a amizade com a Rússia será aprofundada sob orientação estratégica de Xi e Putin, em um contexto de 30 anos de acordo de parceria e 25 anos de tratado de boa vizinhança. A mensagem enfatiza uma cooperação mais enraizada no cotidiano entre os povos.
A pauta econômica é observada com atenção: analistas esperam negociações para ampliar a cooperação energética, em especial o projeto Power of Siberia 2, que prevê um gasoduto de cerca de 2,6 mil quilômetros e capacidade adicional de 50 bilhões de metros cúbicos. A implementação, porém, depende de fatores geopolíticos e de mercado.
A operação energética potencial pode reduzir a dependência chinesa de vias como o estreito de Hormuz, ao mesmo tempo em que acentua a dependência de Moscou. A China busca aumentar a autossuficiência energética, mantendo equilíbrio estratégico em relação aos seus parceiros.
Putin figura como elemento de apoio de Xi em relação aos Estados Unidos. Enquanto Xi recebeu Trump recentemente no Zhongnanhai, o papel de Putin aparece como uma ponte entre Beijing e Washington, no contexto de relações internacionais complexas e de negociações estratégicas.
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