- A Bienal de Veneza apresenta “In Minor Keys”, mantendo a visão de Koyo Kouoh mesmo após o falecimento da diretora artística; a mostra ocorre de 9 de maio a 22 de novembro.
- O formato é organizado por “undercurrent priorities” (prioridades subjacentes), em vez de seções fixas: Shrines, Processional Assemblies, Enchantment, Oases e Schools.
- Shrines reúne ambientes no Giardini e Sala Chini, com dois artistas vistos como lodestars por Kouoh: Issa Samb e Beverly Buchanan.
- Processional Assemblies foca em encontros de comunidades africanas atlânticas, com carnavais, rituais espirituais e a ideia de abrir o espaço para o visitante participar da assembleia; nomes citados incluem Nick Cave e Alvaro Barrington.
- Enchantment e Oases trazem obras que valorizam poesia, cotidiano e momentos de contemplação, com espaços de descanso assinados por Kader Attia e trabalhos de artistas como Rose Salane, Billie Zangewa, Wangechi Mutu, María Magdalena Campos-Pons e Kamaal Malak.
O International Exhibition de Veneza, intitulado In Minor Keys, ganhou contorno após a morte da diretora artística Koyo Kouoh. A mostra, que começa no sábado 9 de maio e segue até 22 de novembro, acontece nos espaços dos Giardini e do Arsenale, com curadoria baseada em prioridades subjacentes ao projeto.
A curadoria organiza a exposição por “undercurrent priorities”, trajetórias que dialogam entre práticas e gerações. O ponto de partida inclui Shrines, com instalações no pavilhão italiano dos Giardini e no Sala Chini, criadas por Issa Samb e Beverly Buchanan, considerados faróis para o conjunto.
Estradas de montagem e encontros
Processional Assemblies é o segundo eixo, enfatizando encontros em comunidades atlânticas africanas, carnavais e rituais de luto. A curadoria busca ausência de paredes rígidas para convidar o visitante a integrar a assembleia. Entre os artistas, estão Godfried Donkor e Yoshiko Shimada, com referências a arquivo e memória histórica.
Enfase na esperança e na vida cotidiana
Enchantment aparece como o eixo otimistamente voltado para o impacto positivo da arte, com obras que respondem ao cotidiano e revelam momentos poéticos em installações de Rose Salane e Billie Zangewa. A presença de tessituras de seda e linguagem têxtil reforça essa leitura de vida diária.
Oásios de repouso e espaços de convivência
O conjunto inclui espaços de descanso com obras de Kader Attia, cuja prática foca em reparo. Outros oásios apresentam trabalhos de Wangechi Mutu, María Magdalena Campos-Pons e Kamaal Malak, abordando histórias coloniais e ecológicas por meio de instalações e esculturas.
Instituições liderando pesquisas artísticas
A mostra destaca sete instituições centradas no eixo de aprendizado e criação colaborativa, entre elas Raw Material Company, Denniston Hill e GAS Foundation. Esses espaços são apresentados como centros de produção, debate e convivência entre artistas.
Poesia como fio condutor
A poesia permeia várias frentes da exposição, guiando a lógica curatorial, com referências a autores como James Baldwin, Édouard Glissant e trabalhos de Toni Morrison e Gabriel García Márquez citados como marcos temáticos. Um conjunto de performances ligadas à poesia integra a programação.
Artistas-chave da curadoria
Issa Samb é reconhecido como uma das referências centrais da mostra, com uma presença que remete à história de Dakar e ao Laboratoire Agit’Art. Beverly Buchanan figura como outra referência, com esculturas e obras que dialogam com arquitetura vernacular e memória coletiva.
Obras e temas de destaque
Kader Attia apresenta espaços de repouso que enfatizam reparo e linguagem sonora. Torkwase Dyson trabalha com a ideia de Black Compositional Thought, mapeando espaços, arquitetura e rotas de deslocamento sob a óptica de corpos negros. Billie Zangewa e Alfredo Jaar aparecem como exemplos de incidência sobre gênero, raça e violência estatal.
Contexto e objetivo da mostra
A exposição não se ancora em divisões rígidas, mas em trajetórias que atravessam práticas diversas. A proposta busca ampliar modos de percepção, memória e resistência, mantendo foco na neutralidade e na veracidade das informações apresentadas pela curadoria.
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