- A partir de segunda, quem chega ao centro de processamento de Manston, em Kent, poderá ter telefones e cartões SIM apreendidos pelas autoridades, sem necessidade de prisão prévia.
- As equipes poderão buscar dispositivos eletrônicos e até inspecionar a boca do detainee em busca de itens escondidos; ainda não houve confirmação sobre buscas em menores.
- Críticos dizem que tais buscas invasivas são desumanas e podem tratar todos os refugiados como ameaça à segurança, afetando a privacidade.
- Um advogado questiona se as medidas cumprem uma decisão do tribunal de 2022 sobre apreensão de celulares e aponta a falta de supervisão independente para assegurar legalidade.
- Em 2025, chegaram ao Reino Unido 41.472 migrantes que cruzaram o Channel; há planos de fechamento de hotéis de asilo e envio de parte dos requerentes a um site militar em East Sussex.
O Ministério do Interior decidiu permitir, a partir de segunda-feira, buscas em dispositivos eletrônicos de requerentes de asilo enviados ao centro de processamento de Manston, em Kent. A medida vale para quem chega por barcos pequenos e fica sob custódia das autoridades.
Segundo o governo, os oficiais poderão confiscar celulares e cartões SIM sem a necessidade de prisão, com tecnologia no local para baixar dados. Também haverá busca dentro da boca para localizar dispositivos ocultos, embora ainda não tenha sido confirmado se crianças poderão ser alvo.
A decisão suscita críticas de defensores dos direitos humanos. Natasha Tsangarides, da Freedom from Torture, afirmou que exames invasivos logo após a travessia são desumanos e que a abordagem pode tratar refugiados como ameaça, independentemente de provas.
Um escritório de advocacia que representa dezenas de requerentes questionou a conformidade das novas regras com uma decisão de 2022 do High Court. O advogado Jonah Mendelsohn ressaltou a necessidade de autorização e supervisão independentes para buscas tão invasivas.
O Ministério diz que as buscas visam obter informações sobre trajetos de migração e permitir a prisão de contrabandistas. As novas competências foram aprovadas após a entrada em vigor do Border Security, Asylum and Immigration Act, em dezembro.
Contexto e consequências
O governo também informou que, se considerado necessário e proporcionado, crianças podem ser submetidas às buscas. Fontes do Home Office afirmam que, no entanto, tudo segue critérios legais e de proporcionalidade.
O primeiro grupo de requerentes deve ser encaminhado a um local militar no sudeste da Inglaterra nas próximas semanas. O objetivo, segundo autoridades, é acelerar o processamento e desmontar redes de traficantes.
No total, 41.472 migrantes chegaram ao Reino Unido em 2025 após atravessarem o Canal, segundo dados oficiais. O número representa o segundo maior registro já computado, com queda em relação a 2022.
A liderança política oscila entre propostas de endurecimento e promessas de ações mais rápidas. O atual governo diz buscar combater redes de contrabando e reduzir tempos de hotelaria para requerentes.
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