- A Justiça argentina classificou os fusilamentos de 1956, conhecidos como Operação Masacre, como delitos de lesa humanidade, ocorridos na madrugada de 10 de junho de 1956 em um basural de José León Suárez, na periferia de Buenos Aires.
- A sentença, proferida pela Justiça Federal de San Martín, aponta que os responsáveis já falecidos teriam recebido prisão perpeta. O regime responsável era a ditadura de Pedro Eugenio Aramburu.
- A decisão confirma que, na noite anterior, agentes liderados pelo chefe de Polícia de Buenos Aires, Desiderio Fernández Suárez, sequestraram doze pessoas e as levaram para um descampado, onde cinco foram mortas de imediato.
- Sete pessoas sobreviveram aos disparos, entre elas Juan Carlos Livraga, o único sobrevivente vivo hoje, com 96 anos.
- O tribunal determinou reparação às vítimas e às suas famílias, com placas de memória no local da detenção e no descampado, além de reconhecer a importância histórica da obra Operação Masacre de Rodolfo Walsh (que investigou os fatos).
O tribunal federal de San Martín declarou como crimes de lesa humanidade os fusilamentos ocorridos durante a chamada Operación Masacre, ocorridos na madrugada de 10 de junho de 1956, na periferia norte de Buenos Aires. Doze pessoas foram mortas por ordem de autoridades da época, segundo a sentença.
A decisão aponta que os responsáveis, já falecidos, recebiam pena de prisão perpeta. A juíza Alicia Vence destacou que o regime militar liderado por Pedro Eugenio Aramburu é responsável pelos homicídios qualificados e por sete tentativas de homicídio.
O julgamento da verdade foi motivado por investigações que remontam a uma denúncia do jornalista Rodolfo Walsh, que descreveu as execuções em Operação Masacre. O veredito reconhece a gravidade dos crimes e indica a necessidade de reparação histórica às vítimas e aos familiares.
O que aconteceu e onde
Na noite de 9 de junho de 1956, agentes da polícia sob o comando do chefe de Polícia de Buenos Aires prenderam 12 pessoas em uma casa de Florida, a cerca de 10 quilômetros de Buenos Aires. O grupo havia se reunido para ouvir notícias de um golpe que não se concretizou.
Paradas, as vítimas foram levadas para uma delegacia e, posteriormente, transferidas para um descampado onde ocorreram as execuções. Cinco mortos foram confirmados na ação, e os corpos foram entregues às famílias em condições restritas.
Quem está envolvido e o desfecho
Rodolfo Rodríguez Moreno, inspector-chefe da unidade, é apontado como o cabo da cadeia de comando que ordenou os fusilamentos. Desiderio Fernández Suárez, chefe da polícia, é considerado o responsável pela direção operacional. Todos os implicados já faleceram.
Entre os sobreviventes, sete conseguiram escapar ou sobreviver aos ferimentos. Um deles, Juan Carlos Livraga, ainda vivo aos 96 anos, testemunhou o caso e participou do desfecho judicial após décadas de lutas.
Contexto e repercussão
A investigação ganhou força após a divulgação de Walsh, que revelou que os sequestros ocorreram antes do decreto de lei marcial e antes da oficialização do estado de exceção. A decisão judicial estabelece a preservação da memória das vítimas, com placas de referência no local da detenção e no campo de fusilamentos.
O julgamento da verdade pretende esclarecer responsabilidades históricas, oferecendo reparo às famílias. A ausência de punição na época foi um fator que alimentou ciclos de violência no país nas décadas seguintes.
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