- Foram encontrados no cenote Síis Já, em Valladolid, Yucatán, 153 mosquetes e rifles espanhóis e britânicos, além de um canhão de ferro, sob uma antiga instalação conventual do século XVI.
- As armas teriam sido descartadas pelo governo colonial durante os anos iniciais da Guerra de Castas (1847–1901) para evitar que caíssem em mãos maias.
- Além das armas, foram encontrados entulho e poluição no local, que afetam o cenote e o ecossistema ligado à aquífera da região.
- O Síis Já já foi explorado pela primeira vez em 2003; a incursão mais recente ocorreu em fevereiro de 2026, com avaliação de riscos e impactos ambientais.
- Planos da instituição INAH incluem pesquisa, conservação e remoção de lixo, com decisão sobre quais artefatos devem permanecer in situ e possível devolução de itens recuperados ao convento para exposição.
O Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) revelou a descoberta de 153 mosquetes e rifles espanhóis e britânicos, além de um canhão de ferro, localizados no cenote Síis Já, na península de Yucatán. A aparelhagem foi encontrada sob o antigo convento de San Bernardino de Siena, no município de Valladolid, em território mexicano. A investigação aponta que as armas teriam sido abandonadas pelo governo colonial espanhol nas primeiras décadas da Guerra de Caste, no século XIX.
Segundo o INAH, o sítio abriga não apenas armamentos, mas também resíduos e poluição que afetam a área. O cenote Síis Já está conectado ao aquífero subterrâneo da região e é uma fonte importante de água, além de conservar vestígios arqueológicos desde períodos pré-hispânicos. Os trabalhos de campo também localizaram cerâmica maya e porcelana chinesa dos séculos XVIII, compondo um panorama histórico diversificado.
A descoberta foi registrada após nova avaliação realizada em fevereiro de 2026, acionada por denúncias sobre infraestrutura turística irregular na área. A equipe aponta que a poluição hídrica compromete a vida aquática local, com peixes que antes abundavam hoje em menor número.
Impactos ambientais e de preservação
Especialistas destacam que cenotes sofrem com turismo desordenado, urbanização e atividades agrícolas. O projeto de transporte Maya Train é citado como responsável por intervenções que atingiram mais de 125 cenotes, por meio de pilares que atravessam esses abismos. A preocupação envolve a influência sobre o aquífero e a qualidade da água.
A equipe de arqueologia subaquática enfatiza a necessidade de educação ambiental e fiscalização mais eficaz. O objetivo é conservar o patrimônio sem impedir o acesso responsável do público e do turismo, que é essencial para a região.
Planos futuros para o Síis Já envolvem pesquisas, conservação e remoção de resíduos. A INAH, com apoio da Fundação Convento Sisal Valladolid, avalia quais artefatos devem permanecer no local. Há itens, como o canhão, que passam por processos de deterioração submersa.
Alguns artefatos recuperados em 2003 devem retornar ao convento para exibição, conforme informações da equipe técnica. As ações visam equilibrar a proteção do patrimônio com o aproveitamento científico e educativo do sítio.
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