- O lança-perfume chegou ao Brasil no início do século XX como perfume corporal e ganhou espaço nos bailes carnavalescos.
- A Rhodia dominou a entrada inicial; após a Primeira Guerra Mundial, a empresa abriu fábrica em Santo André, SP, para produzir o lança-perfume Rodo e outros químicos.
- Com o tempo surgiram rótulos brasileiros e o produto foi comercializado em milhões de vidros por ano, especialmente para o Carnaval.
- A tentativa de proibição começou em sessenta e a partir de mil novecentos e cinquenta e sete houve projeto de lei para banir importação, comércio e uso; a proibição foi decretada em sessenta e um, com adaptação até sessenta e dois.
- Em sessenta e seis, o presidente Castelo Branco definitive proibiu a fabricação, comércio e uso do lança-perfume e de aerosóis em preparações para folguedos carnavalescos, levando ao uso de substitutos como o “jato-perfume”.
A história do lança-perfume, símbolo dos carnavais, é marcada por uma evolução rápida desde o início do século XX. Originalmente vendido como perfume corporal, o produto acabou virando uma presença constante nas festas. O efeito imediato é de euforia, tontura e diminuição do juízo crítico, com duração de poucos minutos.
Durante as primeiras décadas, o lança-perfume chegou ao Brasil com a marca francesa Rhodia e teve produção ampliada após a Primeira Guerra Mundial. A fábrica de Santo André, em São Paulo, chegou a produzir o lança Rodo, além de outros químicos como ácido sulfúrico e cloreto de etila. Outros rótulos nacionais foram surgindo, ampliando o estoque para uso carnavalesco.
Na prática, milhões de vidros eram vendidos anualmente e o consumo se difundiu, inclusive entre crianças em algumas regiões. Registros históricos indicam promoções e concursos, como ações da Rhodia em João Pessoa para premiar blocos que consumissem mais lança-perfume. Descrições de festas antigas mostram a presença marcante desse produto nas folias.
História e contexto de criação
O lança-perfume utiliza substâncias inalantes como cloreto de etila, éter etílico e clorofórmio. O cloreto de etila surgiu na França no fim do século 19 e teve uso inicial como anestésico. O éter, conhecido há séculos, era conhecido por provocar efeitos recreativos em festas europeias. Essas substâncias contribuíram para a popularização do uso recreativo nas celebrações.
O óxido nitroso, também associado a contextos festivos, ganhou notoriedade pela combinação de efeitos de euforia e alucinações. Historicamente, relatos de festas da nobreza inglesa e descrições de eventos do século XIX ajudam a contextualizar o clima de experimentação com inalantes.
Proibição e alcance da medida
No fim dos anos 1950, o jornalista Flávio Cavalcanti destacou os impactos do lança-perfume na saúde e na moral pública. Em 1957, o Congresso recebeu proposta para proibir importação, comércio e uso do produto. A justificativa baseou-se em relatos de libertinagem e comportamento considerado inadequado em vias públicas.
Quatro anos depois, o presidente Jânio Quadros decretou a proibição de fabricação, comércio e uso no país. O decreto não determinou prazo imediato para adequação industrial, o que levou a alterações temporárias até 1962. Em 1966, um decreto de Castelo Branco encerrou definitivamente a circulação do lança-perfume e de produtos correlatos, incluindo aerosóis usados em festas carnavalescas.
A tentativa de substituir o lança por alternativas como o jato-perfume ocorreu no período de transição, mas o conjunto de substâncias inalantes permaneceu proibido. Hoje, o tema é pesquisado em instituições que comparam os impactos de lança-perfume e lolo, destacando diferenças químicas e de efeitos.
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