- Em 1979, começa a chamada “Era da Cinza”: embargo revolucionário iraniano com Ruhollah Jomeiní em Teerã, e rompimento do principal aliado dos EUA no Oriente Médio; Egito e Israel assinam acordo de paz, considerado estratégico pelos EUA.
- Em 20 de novembro, um grupo sunita messiânico invade a Grande Mesquita de La Meca, declara a monarquia saudita herege e anuncia a vinda do Mahdi; o episódio termina em 4 de dezembro com violência e a execução pública do líder Juhayman al‑Otaibi, aprofundando conflitos na região.
- Ainda naquele ano, tropas soviéticas atravessam o rio Amu Daria, iniciando a ocupação do Afeganistão que dura uma década; a CIA e o Mossad ajudam a treinar e financiar combatentes contra o governo afegão, incluindo futuros extremistas.
- Iran fortalece o regime rigorista durante a guerra com o Irã, fortalece alianças com Rússia e China e amplia influência no Líbano e na Síria, tornando-se uma potência regional apoiada pela riqueza petrolífera.
- Ao longo das décadas seguintes, o conjunto de ações regionais e globais, incluindo a ampliação de poderes no governo dos Estados Unidos após o 11 de setembro e intervenções subsequentes, alimenta anos de violência e tensões no Oriente Médio.
El fin de la Edad de la Ceniza
Em 1979, Ruhollah Jomeini chegou a Teerã em meio a aplausos, encerrando a revolução que derrubou o shah e consolidou a República Islâmica. O ano marcou o início de uma era de instabilidade que moldou o cenário regional por décadas, com consequências que ainda repercutem.
A chegada de Jomeini aproximou o Irã de uma postura confrontadora no Oriente Médio, enquanto Washington via a relação com o Irã como estratégica em meio a tensões com aliados históricos. O acordo de paz entre Egito e Israel, resultado de negociações anteriores, reforçou leituras de realinhamento global.
O terremoto de Mecca e a década que se seguiu
Em 20 de novembro de 1979, a Grande Mesquita de La Meca foi tomada por radicais sunitas, que declararam a monarquia saudita herege e previram o Mahdi. O cerco terminou em 4 de dezembro, com ações militares e a execução do líder extremista Juhayman al Otaibi, agravando tensões na península arábiga.
Aquela década viu a retirada parcial de influência soviética na região, com a ocupação do Afeganistão pelos soviéticos iniciando em 1980 e estendendo-se por anos. A resposta ocidental envolveu o chamado puente de los muyahidin, coordenado pela CIA e pelo Mosad, com apoio de países da região, para instruir combatentes contra o regime afgano.
Formação de redes extremistas e consequências regionais
Entre os fighters que surgiram nessa operação, estiveram figuras como Osama bin Laden e Ayman al Zawahiri. Muitos retornaram aos seus países de origem após o fim dos conflitos regionais, mas trouxeram consigo redes que influenciaram movimentos extremistas nas décadas seguintes.
O Irã continuou a fortalecer seu regime e expandiu influência no Líbano e na Síria, mantendo alianças com Rússia e China. A resposta ao terrorismo global ganhou formato de política externa que envolveu apoio a grupos e ações regionalizadas, ampliando a presença de potências estrangeiras na região.
Desdobramentos e impactos geopolíticos
Os ataques de 11 de setembro consolidaram mudanças na segurança global, com George W. Bush obtendo poderes para agir contra o terrorismo sem aprovação constante do Congresso. Anos posteriores trouxeram outras intervenções, incluindo ações que passaram a receber apoio de gestores regionais, entre eles o uso de operações que enfrentaram resistência local.
A partir de então, o contínuo embate entre forças regionais, poderes ocidentais e regimes autocráticos deixou um rastro de conflitos, guerras locais e tensões diplomáticas. Ascenções, alianas e intervenções moldaram uma geopolítica marcada por ciclos de violência e cenários de incerteza que persistem até hoje.
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