- A operação de um drone turco Bayraktar Akıncı em East Oweinat, próximo à fronteira com o Sudão, indica escalada no conflito e maior envolvimento do Egito.
- Imagens de satélite mostram a aeronave no pátio de um aeroporto remoto, usado para ações na fronteira e, possivelmente, para ataques no Sudão.
- Autoridades egípcias privadas confirmam apoio logístico e técnico às Forças Armadas do Sudão, com dois aeroportos do sul abastecidos nos últimos meses.
- A mudança da postura do Egito ocorre após avanços do RSF em Darfur, incluindo a captura de al-Fashir, o que levou o governo a sinalizar linhas vermelhas de segurança nacional.
- O Egito integra o grupo de países influentes no conflito, ao lado de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos, que buscam romper o cycle de violência sem sucesso.
A decolagem de um UAV turco de ponta em uma pista remota na fronteira sul-ocidental do Egito sinaliza uma escalada acentuada no conflito de Sudão, segundo mais de uma dúzia de autoridades e especialistas da região. O movimento envolve o envio de um drone de combate Bayraktar Akıncı para East Oweinat, perto da fronteira com Sudão.
O Egito, que compartilha o Nilo e uma fronteira de mais de 1.200 quilômetros com o Sudão, tem prestado apoio político ao exército sudanês em seu conflito com as Forças de Apoio Rápido (RSF). Fontes ouvidas pela Reuters indicam apoio logístico e técnico, com o país até então recuando de intervenções diretas.
A mudança de postura ganhou contornos desde o avanço da RSF na região de Darfur, com a tomada de posições estratégicas próximas ao Egito e a queda de al-Fashir, em outubro. Autoridades egípcias reunidas com assessores internacionais sinalizam que não permitirão violação de “linhas vermelhas” de segurança nacional.
Duas fontes de segurança egípcias afirmaram a Reuters que duas aeronaves de apoio militar foram abastecidas em aeroportos do sul nos últimos oito meses para reforçar a fronteira e realizar ataques na proteção da segurança nacional. Imagens de satélite da Vantor mostram o drone em East Oweinat em 29 de setembro, 28 de dezembro e 9 de janeiro.
Especialistas ouvidos pela agência identificaram o avião como Bayraktar Akıncı, com design característico, sugerindo que o aparato pode operar por longos períodos e transportar munição variada. Outros veículos aéreos também foram vistos em volta de hangares, indicando uso frequente.
O Egito não respondeu a perguntas sobre operações em East Oweinat, tampouco a demanda por comentários da RSF. O governo sudanês também não comentou o assunto. A tensão envolve atores estrangeiros, com o Egito integrado a um grupo de potências regionais que atuam para mediar o conflito.
O eixo de atores externos inclui, além do Egito, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos. Analistas ressaltam que a presença de drones turcos aumenta o grau de envolvimento de terceiros no conflito, que desde 2023 atrai várias frentes de apoio e desfechos militares.
A RSF alega ataques com Akıncis desde junho e afirma ter abatido aeronaves da aeronáutica em Darfur. O grupo não respondeu a pedidos de comentário. Observadores indicam que o acesso a fornecedores e bases próximas facilita operações de maior alcance na região.
Dados de rastreamento de voos indicam que várias entradas para East Oweinat tiveram origem na Turquia, incluindo aeronaves de cargueiro da Força Aérea turca. Institutos de defesa citados por especialistas apontam usos variados para os Akıncı, sem confirmar detalhes operacionais.
Analistas destacam que East Oweinat fica a menos de 400 quilômetros do triângulo fronteiriço com Sudão, uma área sensível que facilita o fluxo de suprimentos para Darfur. A evolução sugere uma mudança estratégica do Cairo, antes mais contida, em direção a ações mais diretas.
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