- A junta do Níger está movendo mais de 1.000 toneladas de urânio em estéril (yellowcake) da região de Arlit, com o destino ainda incerto, possivelmente Lomé, no Togo, ou Rússia, em caminhões vivos de transporte.
- O minério faz parte de uma disputa entre a Orano, empresa francesa, e o governo militar do Níger, que nacionalizou a mina em junho de 2025 e confiscou cerca de 1.150 toneladas de urânio.
- As rotas consideradas envolvem passagem pelo Benin até o porto de Lomé, ou pela Burkina Faso e Togo, com riscos de ataques de grupos jihadistas e de perda de controle sobre o carregamento.
- Uma opção ainda mais cara seria um transporte aéreo de Niamey a Lomé ou a Bengazi, até a Rússia, o que envolve dezenas de voos e maior perigo de vazamento ou sabotagem.
- O caso ilustra a mudança no cenário internacional: a ordem baseada em regras está se reorganizando, com implicações para a política externa dos Estados Unidos e para estabilidade regional, independentemente de a missão ocorrer com sucesso ou não.
A conjuntura de Arlit, no Níger, ganha contornos de crise estratégica. Um carregamento de urânio em forma de yellowcake é transportado por via terrestre, em um comboio fortemente armado, rumo a mercados internacionais. A operação surge em meio a tensões com o governo militar de Niamey e alegações sobre venda para fora do país.
A denúncia envolve a estatal francesa Orano, antiga proprietária da mina, e o governo militar que assumiu o poder em 2023. A mina foi nacionalizada em 2025, com a expropriação de parte da produção, estimada em cerca de 1.150 toneladas de urânio. A administração negacionista sustenta que se trata de recurso estratégico.
O trajeto do comboio já cruza o território do Níger, com 34 caminhões parados no aeroporto de Niamey. A rota mais segura passaria pelo Benim, caminho que exigiria acordo entre governos, algo visto como sensível para a junta. A ponte Gaya-Malanville aparece como ponto estratégico de controle do fluxo.
Um cenário de segurança preocupa autoridades: a passagem por áreas instáveis no leste do Níger e pelo Sahel expõe o carregamento a ataques de insurgentes. Grupos jihadistas, incluindo o Jama’at Nasr al-Islam wal al-Muslimin, já atacaram rotas semelhantes neste ano, elevando o risco de sequestro da carga.
Desafios logísticos e geopolítica
Caso o comboio chegue a Lomé ou siga para o litoral, haveria escrutínio intenso de regras internacionais, seguros e fiscalização portuária. Alternativas aéreas são incomuns devido ao peso e aos riscos de fuga de material. A operação também sinaliza como recursos naturais passam a balizar disputas de poder regional.
A resposta dos Estados Unidos se concentra na esfera de compliance, com diplomacia voltada às rotas de saída do carregamento. Ações com o Benin, Libia, Síria ou outras rotas de ligação a Rússia podem servir de alavanca. Em paralelo, a transparência das operações e a cooperação com autoridades internacionais ganham relevância para conter o desenrolar do caso.
Entre na conversa da comunidade