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Mianmar realiza eleições legislativas organizadas pela junta militar

ONU e potências criticam eleições da junta em Mianmar, restritas e controversas, enquanto o país permanece em guerra civil e sem votação em áreas rebeldes

Eleições em Mianmar. Foto: Sai Aung MAIN / AFP
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  • A junta militar de Mianmar encerrou a primeira fase das eleições legislativas que organiza, com votação iniciando há um mês e ocorrendo em áreas controladas pela junta, incluindo Naypyidaw, Yangon e Mandalay.
  • A eleição é fortemente restrita e tem sido criticada pela ONU e por diversos países, que dizem tratar-se de uma tentativa de legitimar o regime militar que tomou o poder em fevereiro de 2021 e provocou uma guerra civil.
  • Em Yangon, houve mais jornalistas e funcionários do governo do que eleitores em um centro de votação, segundo relatos locais; a apuração da primeira fase começou logo após o encerramento da votação.
  • A junta afirma que as eleições são livres e justas, organizadas pelos militares; já Aung San Suu Kyi permanece presa desde o golpe.
  • Em áreas sob controle de rebeldes, não houve votação, refletindo o aprofundamento do conflito no país e a dissolução do antigo partido de Suu Kyi.

A primeira fase das eleições legislativas organizadas pela junta militar de Mianmar terminou neste domingo 28, quase cinco anos após o golpe de 2021. O pleito ocorreu em meio a uma guerra civil e é visto pela comunidade internacional como tentativa de legitimar o regime militar. A votação é restrita e não ocorre em áreas controladas por rebeldes.

A junta afirma que as eleições são livres e justas, organizadas pela instituição militar. O país vive o conturbado retorno político defendido pela junta, enquanto muitos setores da oposição permanecem presos ou exilados.

A votação deve durar um mês, com avaliação de que o ritmo é lento. Em Yangon, o centro de votação registrou presença maior de jornalistas e funcionários do que de eleitores comuns, de acordo com relatos da imprensa local.

Reações internacionais e condições do processo

Organizações internacionais, incluindo a ONU, criticam o pleito como legitimador do regime militar. O escritório da ONU em Mianmar enfatizou a necessidade de um processo livre, justo e inclusivo que reflita a vontade popular.

Min Aung Hlaing, chefe da junta, declarou que as eleições são livres e justas. Garantiu que o processo foi organizado pelos militares e ressaltou que não permitiria danos à reputação do país.

Realidade no terreno e perspectivas

O país continua em conflito, sem votação em áreas sob controle de rebeldes. Observadores destacam que o processo ocorre apenas em parte do território, com restrições que afetaram a participação.

Aguarda-se a avaliação internacional sobre legitimidade e representatividade do pleito, diante da prisão de Suu Kyi e da dissolução do antigo partido de seus líderes. Estima-se que o processo eleitoral seja apenas a primeira etapa de uma estrutura política ainda incerta.

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