- Em Frieze New York, até 17 de maio, galerias destacam a história de Nova York dos anos setenta e oitenta, em meio a práticas artísticas mais comerciais atualmente.
- O ensaio de Josh Kline, publicado em outubro, questiona que aluguel alto em Nova York compromete a coragem de artistas de experimentar; a matéria acompanha o debate no circuito.
- Gallerias jovens adotam estratégias diferentes: participação simultânea em feiras com custos reduzidos e apresentações em focos como Frieze Focus, para equilibrar custos e vendas.
- Galerias como Europa e Esther exibem obras de artistas em foco, com preços que variam de milhares a dezenas de milhares de dólares, buscando cobrir custos de estande.
•/ Silke Lindner, Gozié Ojini e Deondre Davis aparecem como exemplos de itinerários de vendas e de presença física em Nova York, que continua sendo foco central da rede de colecionadores e da identidade de muitas galerias.
A cena de arte jovem em Nova York enfrenta custos altos e ritmo rápido, enquanto feiras e galerias buscam manter a viabilidade. Frieze New York, em cartaz até 17 de maio, ancora esse debate ao reunir uma linha do tempo que vai dos anos 70/80 ao presente.
Joey Kline chamou atenção ao defender que aluguéis elevados tornam difícil para artistas desenvolver práticas arriscadas. Seu ensaio recente, publicado na revista October, reitera que o custo de morar e trabalhar na cidade pressiona a produção artística contemporânea.
A peça central do espaço de Galerie Champ Lacombe é o gigante de Virginia Jaramillo, com Jaramillo representando a memória de uma prática experimental. Em paralelo, Champ Lacombe expõe materiais arquivísticos de El Internacional, projeto de Antoni Miralda em Tribeca.
Mudanças de tema
Nova York passa de referências históricas para o presente mercadológico: galerias jovens enfrentam a necessidade de participar de várias feiras, buscando visibilidade sem se endividar. O foco recai sobre negociações intensas com museus, colecionadores e programas de apoio.
Europa, nova galeria de Lower Manhattan, participa da seção Focus com uma instalação de Aki Goto que mistura cadeira odontológica, glitter e vídeo familiar. A mostra custa 12 mil dólares, com a meta de cobrar o custo da apresentação em uma venda de 28 mil dólares.
No estande da Gordon Robichaux, esculturas de Deondre Davis compõem a apresentação da seção Focus, evidenciando a diversidade de propostas entre jovens galerias da cidade.
Mercado e estratégias
Na Esther, feira boutique de Tribeca, a dealer Silke Lindner monta obras de Gozié Ojini, além de apresentar Nina Hartmann no Independent e em sua própria galeria na Broadway. A curadora destaca a importância da presença física para atrair colecionadores na cidade.
Sam Gordon, cofundador da Gordon Robichaux, observa a pressão de manter operações enxutas. Ele destaca que o objetivo é evitar dívidas e manter a galeria lean para sustentar a viabilidade financeira diante do cenário atual.
Perspectivas e legado
O ensaio de Kline encerra incentivando artistas a migrar para cidades mais acessíveis, como Filadélfia, para desenvolver práticas experimentais com menos ônus. Para dealers, porém, Nova York permanece uma referência difícil de abandonar.
Hans Goodrich, galeria de Chicago criada em 2024, apresenta programa semelhante a um kunstverein europeu. A proposta oferece mais liberdade graças a custos menores, mas enfrenta o peso da atração contínua pela cidade.
A relação entre Nova York e galerias jovens permanece marcada pela busca de equilíbrio entre custo, presença física e acesso a uma base de compradores. A cidade continua a atrair artistas que desejam proximidade com colecionadores, apesar dos obstáculos financeiros.
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