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Fundo de R$ 15 bilhões usado pelo Master tem proprietário nas Bahamas

PF apura desvio de recursos do Banco Master via fundos nas Bahamas, com cerca de R$ 1 bilhão transferidos ao Astralo 95 em fevereiro de 2025

Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi, em São Paulo
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  • O Banco Master usava um fundo com patrimônio de R$ 15 bilhões, controlado por um fundo nas Bahamas, para desviar dinheiro, segundo o liquidante do banco.
  • O fundo brasileiro envolvido é o Astralo 95, ligado à empresa Faex Fund Ltd, nas Bahamas, controlada pelo empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, investigado no caso Master.
  • A Polícia Federal investiga a rota de desvios para saber quanto dinheiro saiu do Brasil, incluindo transferência de R$ 61 milhões para um fundo ligado à família Bolsonaro nos Estados Unidos.
  • Um segundo nome da operação é o empresário Daniel Vorcaro, preso desde março, que teria sido beneficiado por operações envolvendo cotas de fundos da cadeia Frozen, administrados pela CBSF/Reag.
  • Segundo a apuração, houve envio de R$ 1 bilhão do Master para o Astralo 95 em fevereiro de 2025, meses antes da liquidação, com outras transferências para fundos como Anna e FIM Máxima 2, abrindo caminho para desvio de recursos.

O Banco Master utilizava um fundo com patrimônio de aproximadamente R$ 15 bilhões controlado por outro fundo sediado nas Bahamas para desviar recursos, segundo o liquidante da instituição. O dinheiro estaria ligado aos chamados fundos Frozen, vinculados ao grupo controlador.

No Brasil, o fundo envolvido é o Astralo 95, parte da cadeia de fundos Frozen. O Astralo 95 é controlado pelo Faex Fund Ltd, nas Bahamas, que, por sua vez, tem como dono o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, investigado no caso Master.

A Polícia Federal apura a rota de desvios para identificar quanto orçamento foi encaminhado para fora do Brasil. Freixo Júnior integra a estrutura de fraudes financeiras associada ao Master, e a Entre Investimentos, sua empresa, teria enviado R$ 61 milhões para um fundo ligado à família Bolsonaro nos EUA.

Estrutura dos fundos Frozen

A investigação aponta que Vorcaro também mantém outra companhia nas Bahamas, a Octa Investments, usada para comprar obras de arte com US$ 6 milhões. Em fevereiro de 2025, meses antes da liquidação, o Master teria transferido R$ 1 bilhão ao Astralo 95.

O bloqueio pedido pelo liquidante envolve cotas de três fundos, sob a alegação de uso para desviar ativos do banco em benefício do ex-controlador. Vorcaro permanece preso desde março, e a defesa não se pronunciou sobre as empresas nas Bahamas.

No centro da apuração está o RSG, um FIDC que compra direitos de recebimento de ações judiciais com decisões pendentes. As cotas do RSG teriam sido repassadas do Astralo 95 para o Anna, outro fundo Frozen, e depois ao FIM Máxima 2, do Master.

Ao todo, cerca de R$ 1 bilhão teriam ficado com o Astralo 95 e cerca de R$ 400 milhões com o Anna. O Anna é controlado pela família Mansur, ex-dono da Reag Investimentos, também alvo da investigação.

Delação premiada e desdobramentos

Os ativos recuperados no exterior e no Brasil são tema central da delação premiada de Vorcaro. O ministro André Mendonça, do STF, sinalizou que a homologação depende de um acordo com valor de até R$ 60 bilhões.

Ao fechar a delação, Vorcaro abre mão de se defender em ações judiciais ligadas ao caso e passa a colaborar ativamente na recuperação de recursos. A estratégia busca reduzir custos de recuperação para credores, incluindo honorários e tributos estrangeiros.

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