- O Banco Central encolheu 42% de funcionários na última década, enquanto o número de instituições reguladas cresceu 50%.
- A crise do Banco Master aumentou a pressão sobre as equipes de supervisão, elevando preocupações sobre falhas regulatórias.
- Aproximadamente 17% dos 600 profissionais da área de supervisão estavam aptos a se aposentar, e muitos têm deixado o quadro.
- O BC tem utilizado monitoramento remoto e tecnologia para supervisionar, concentrando esforços nos grandes bancos devido à falta de autonomia financeira para contratar e treinar.
- Houve a contratação de 40 novos funcionários na supervisão, elevando de cinco para sete o grupo dedicado aos maiores bancos, embora o total ainda permaneça aquém de padrões regionais.
O Banco Central encara uma dupla pressão: expansão do sistema financeiro e crise do Banco Master. As fontes indicam que o regulador pode perder parte de sua capacidade de supervisão diante do cenário atual.
Ao longo da última década, o BC viu seu quadro de funcionários encolher 42%. Enquanto isso, o número de instituições reguladas cresceu cerca de 50%. A diferença amplia o desafio de fiscalização.
Além disso, cerca de 17% dos 600 profissionais dedicados à supervisão estavam próximos da aposentadoria, e parte deles saiu em meio às consequências do caso Master, segundo informações à Bloomberg News.
A expansão do sistema financeiro brasileiro ocorreu com a entrada de fintechs e novas instituições. Em janeiro, o país regulava cerca de 900 entidades, frente a menos de 600 há uma década.
Essa mudança amplia a necessidade de monitoramento remoto, cuja parcela importante da supervisão hoje é feita com tecnologia. O BC afirma que a tecnologia complementa a avaliação de governança e controles.
A crise do Master evidenciou vulnerabilidades na regulação, já que o banco não era objeto de supervisão diária até o fim de 2024. Operava em um ambiente de balanços complexos e prática de ativos illíquidos.
Essa estagnação de supervisão ocorre em meio a pressões orçamentárias. A autonomia financeira do BC, defendida pelo regulador, depende de uma PEC ainda encalhada no Congresso.
O que mudou na supervisão e nas regras
O BC ampliou regras para marcas que usam nomes de bancos sem licença e para empresas não reguladas que prestam serviços financeiros. As mudanças visam reduzir distorções no mercado.
O regulador também discute reformas no Fundo Garantidor de Créditos, em resposta ao risco de perdas associadas ao Master e a bancos conectados ao BRB.
Recentemente, o BC reforçou a equipe de supervisão com 40 novos contratados, elevando o grupo responsável pelos maiores bancos de cinco para sete integrantes.
Apesar do aumento, especialistas dizem que a proporção de supervisores por instituição ainda é menor do que em muitos países latino-americanos. O treinamento de novos funcionários pode levar cerca de 24 meses.
O vicejo do Pix, sistema de pagamentos instantâneos, deixou o BC com maior demanda de supervisão diária. O regulador sustenta que o monitoramento remoto complementa a atuação presencial.
Perspectivas políticas e regulatórias
O BC defende maior autonomia orçamentária para acelerar contratações, treinamentos e alocações. A PEC do BC é defendida para equiparar o arcabouço institucional a outros BCs globais.
Enquanto o Congresso não avança, o regulador mantém foco em fortalecer técnicas e tecnologias de supervisão e em reduzir riscos decorrentes da maior diversidade de instituições.
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