- Vídeo viral em janeiro nas redes mostra suposta capivara pegando carona em um tatu; conteúdo é considerado #FAKE e foi criado com IA.
- O Fato ou Fake verificou o material com a ferramenta HiveModeration, que indicou 99,9% de probabilidade de uso de IA.
- Especialistas apontam inconsistências de comportamento, biologia e geografia: tatus não carregam animais na carapaça e a cena não condiz com a espécie.
- O vídeo não poderia ocorrer na Flórida, onde não existem capivaras em vida livre; na região, o tatu-galinha é o animal típico, menor que a capivara.
- Segundo o veterinário, se uma capivara realmente estivesse sobre um tatu, haveria desequilíbrio e esforço visível, o que não aparece na gravação.
O vídeo que circula nas redes sociais mostrando uma capivara pegando carona em cima de um tatu é falso. A verificação aponta que o registro foi criado com inteligência artificial.
O material apareceu no Facebook, Instagram, X e YouTube, com uma legenda em inglês que diz: tatu carrega capivara ao atravessar uma rua na Flórida. Publicações não informam que a cena foi produzida digitalmente.
Entretanto, especialistas apontam inconsistências: o animal carregado não condiz com comportamentos reais de tatus, e a presença de capivaras na Flórida é improvável. Além disso, o peso da capivara dificultaria a movimentação do tatu na cena.
Como foi verificado
O Fato ou Fake submeteu o vídeo a ferramentas de detecção de IA, que indicaram alta probabilidade de criação artificial (99,9%). O resultado reforça a avaliação de conteúdo fabricado.
O material também foi analisado por Danilo Kluyber, pesquisador do Programa de Conservação do Tatu-canastra. Ele apontou que o registro apresenta inconsistências de comportamento, biologia e geografia, como a ausência de tatus carregando animais sobre a carapaça.
Verificações técnicas e geográficas
Especialistas destacam que tatus não costumam carregar filhotes ou outros animais, comportamento observado apenas em outras espécies. A cena não condiz com o peso e a dinâmica típica de um tato, o que sugere montagem.
A posição das patas e o equilíbrio da criatura sobre a carapaça sugerem esforço extremo incompatível com o cenário apresentado. Tatus são animais robustos, mas não sustentam pesos assim.
A localização geográfica também é incompatível: não há capivaras em vida livre na Flórida, região onde o vídeo seria ambientado. O registro ainda apresenta um animal de tamanho próximo ao de uma capivara, o que não corresponderia ao tatu local da região.
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