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Iscas tóxicas de controle de roedores ameaçam felinos e outras espécies

Iscas anticoagulantes para roedores ameaçam bobcats e outras espécies, levando a declínios populacionais e aumentando o debate sobre regulamentação

While caracals are classified as species of least concern overall, some populations are seriously declining, with some local extinctions; rodenticides join habitat loss, hunting, conflict with humans and other threats to their survival.
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  • Poções anticoagulantes usadas em armadilhas de roedores aparecem no sangue e tecidos de felinos silvestres, incluindo o bobcat (Lynx rufus) na ilha Kiawah, Carolina do Sul, levando a declínio da população, com menos de vinte indivíduos hoje.
  • Em Kiawah, entre 2019 e 2023 houve mortes de bobcats ligadas a esses venenos; todos os animais testaram positivo para mais de um composto anticoagulante.
  • Pesquisas em Cape Town, África do Sul, revelam exposição generalizada de caracais (Caracal caracal) a várias rodenticidas, com impactos em mortalidade, imunidade e saúde reprodutiva.
  • Especialistas dizem que rodatoxicantes afetam diversas espécies e podem piorar problemas já existentes como atropelamentos, habitat fragmentado e isolamento genético; há chamada por regulação mais rígida e alternativas de manejo de pragas.
  • Ações recentes incluem restrições de vendas de rodenticidas de segunda geração na Austrália (2026) e programas locais de proteção, como o Bobcat Guardian, além de regulações na Carolina do Sul; especialistas defendem mais pesquisa e gestão integrada de pragas para proteger felinos pequenos.

O uso de iscas anticoagulantes para controle de roedores ameaça felinos silvestres e outras espécies, segundo pesquisadores. Um estudo de Kiawah Island, na Carolina do Sul, aponta declínio de uma população de bobcats (Lynx rufus) devido à exposição a esses venenos. A queda é associada a mortes por sangramento.

A população de bobcats em Kiawah era estável até 2019, quando três animais morreram, incluindo uma fêmea que morreu durante o parto. Autópsias detectaram traços de rodenticidas no sangue e no fígado dos animais. Nos quatro anos seguintes, 12 vítimas contribuíram para reduzir a taxa de sobrevivência para 39%.

A presença de bobcats na ilha é marcada pela dieta baseada em roedores. Pesquisas mostraram exposição a mais de um tipo de veneno, com todos os animais testados apresentando anticoagulantes. A população atual é estimada em menos de 20 indivíduos.

Exposição e impactos em outras espécies

Coletivas de caracais em Capetown, África do Sul, também apresentam alta exposição a vários rodenticidas, com até seis substâncias encontradas em um único fígado. Estudos indicam que concentrações recentes não diminuíram ao longo de uma década, configurando ameaça contínua.

Além de felinos, a contaminação alcança predadores de diferentes ecossistemas. Em África, caracais expostos a rodenticidas podem sofrer hemorragias internas, prejudicando a saúde geral, a reprodução e a sobrevivência em áreas urbanas e periurbanas.

Diferenças entre gerações e formas de exposição

Os venenos se apresentam em duas gerações: FGARs e SGARs. FGARs exigem múltiplas exposições para agir, enquanto SGARs podem ser letais após uma dose. Predadores acumulam toxinas ao consumir presas que ingeriram as iscas, com persistência maior das SGARs.

Em locais remotos, a exposição ainda é detectada, afetando uma ampla cadeia alimentar. Em Washington, no litoral olímpico, lifers de puma e bobcat mostraram traços de rodenticidas, sinalizando alcance global.

Efeitos a longo prazo e lacunas na ciência

A relação entre doses subletais e impactos crônicos ainda não está totalmente clara. Pesquisadores associam a imunossupressão, atraso na cicatrização de feridas e maior vulnerabilidade a doenças a exposições prolongadas. Estudos sugerem impactos diferentes por espécie.

Especialistas defendem que os muldos venenos não se limitam a espécies-alvo, podendo provocar perdas populacionais em diversas comunidades biológicas. A necessidade de pesquisas globais permanece, com foco em regiões na América, Europa, Ásia, África e América Latina.

Medidas e políticas públicas

Em março de 2026, a Austrália impôs restrições à venda de SGARs, seguindo Canadá, EUA e Reino Unido. A medida é vista como passo positivo, mas não suficiente para resolver o problema na prática. Regulamentação mais firme e alternativas de manejo de roedores são consideradas prioritárias.

Na Kiawah Island, ações locais incluíram o programa Bobcat Guardian, com compromisso de evitar anticoagulantes. Em 2025, a Carolina do Sul restringiu o acesso a SGARs. Pesquisadores ressaltam que é preciso ampliar a educação pública e incentivar o manejo integrado de pragas.

Caminhos futuros

Especialistas destacam a importância de legislações, educação e métodos alternativos, como armadilhas mecânicas ou elétricas. A pesquisa sobre rodenticidas em pequenas espécies felinas em todo o mundo precisa de continuidade, pois essas espécies podem atuar como indicadores de ecossistemas.

Os cientistas ressaltam que a ameaça, embora mais evidente em algumas populações, pode ocorrer em outras áreas. A confirmação de impactos maiores depende de mais estudos e de ações regulatórias mais abrangentes.

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