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Na brutal guerra no Sudão, igrejas não podem oferecer abrigo

Igrejas em Omdurman deixam de oferecer abrigo seguro, com ataques, saques e deslocamentos que agravam a vulnerabilidade de comunidades cristãs

Displaced people from North Kordofan State take shelter in Omdurman, part of greater Khartoum, on November 10, 2025.
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  • Desde abril de 2023, o conflito entre as forças armadas sudanesas (SAF) e as RSF persiste, e igrejas já foram usadas como abrigo por deslocados.
  • Em St. George Coptic Orthodox Church, em Omdurman, 25 cristãos ficaram abrigados, incluindo 15 meninas órfãs; a RSF atacou a igreja, feriu um homem e levou itens, mas não conseguiu levar as órfãs.
  • Uma semana após, a RSF atacou a Marmina Coptic Orthodox Church, destruindo tumbas e bens, o que interrompeu cultos; a igreja hoje não recebe dezenas de fiéis e há pelo menos duas fossas comuns no cemitério.
  • O ataque faz parte de um cenário em que centenas de igrejas foram fechadas ou usadas como bases militares, enquanto o grupo cristão, cerca de 5% da população, recebe pouca proteção.
  • Ao longo do tempo, ocorreram ataques graves em Khartoum e El Fasher, incluindo uma strike em dezembro de 2024 que deixou onze mortos e um bombardeio em junho de 2025, com mais destruição de templos.

Em abril de 2023, o confronto entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Rapid Support Forces (RSF) mergulhou Omdurman em violência. Na Masalma, a igreja Copta Ortodoxa de Santa Georgina tornou-se refúgio para Nagy, Sefain Nagy, e cerca de 25 cristãos, incluindo 15 meninas órfãs. Ameaças, fome e falta de água marcaram o dia a dia do grupo.

Na noite de um mês depois, cinco integrantes da RSF chegaram à igreja, atiraram contra as paredes, derrubaram a porta e invadiram o espaço. Segundo Nagy, os militantes agrediram os fiéis, roubaram joias das mulheres e tentaram levar as meninas, que conseguiram escapar graças a uma falha no veículo. Ao todo, o ataque durou cerca de uma hora.

Pouco tempo depois, a RSF atacou a igreja vizinha Marmina Coptic Orthodox, causando a destruição de altares, bancos e parte de estruturas externas. A ação também violou o cemitério, com pelo menos três enterros profanados. Hoje, as duas igrejas funcionam com serviços reduzidos e a comunidade vive sob constante temor de novos ataques, enquanto muitos fiéis migraram para campos de deslocados internos ou países vizinhos.

Antes da guerra, mais de 2.000 famílias frequentavam St. George e Marmina. Atualmente, cerca de 675 famílias participam de um culto semanal conjunto. Em junho de 2025, a violência contra templos continuou em Khartoum e em El Fasher, com destruição de igrejas por diferentes atores, ampliando o drama de comunidades que já enfrentavam deslocamento e perdas.

A situação em Omdurman revela uma dificuldade central: muitos cristãos não veem seus templos como refúgio seguro, ainda que permaneçam como núcleo de sobrevivência. A fé, para muitos, continua sendo um fator de coesão e apoio social, mesmo diante de perdas significativas e de uma possível nova rodada de confrontos.

Em meio ao período crítico, a comunidade segue buscando apoio humanitário e proteção para seus templos e congregações, enquanto a violência persiste em várias regiões do país. O relatório destaca ainda que a diversidade religiosa no Sudão enfrenta danos estruturais, com impactos diretos sobre famílias, educação e comércio local.

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